CONHECIMENTO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM ANTES E APÓS CAPACITAÇÃO EM SEMIOTÉCNICA PARA AVALIAÇÃO DOS SINAIS VITAIS.
Introdução: O exame físico integra a primeira fase do Processo de Enfermagem (PE) e permite que as características levantadas permeiem o desenvolvimento das cinco etapas que o compõem (1). Neste sentido, espera-se que o enfermeiro, além de monitorar os sinais vitais, julgue seus achados e atue na tentativa de evitar uma piora no quadro clínico do paciente (2). A padronização dos registros dos sinais vitais melhora a qualidade e a segurança da assistência (3). A equipe de enfermagem forma o maior quantitativo de trabalhadores na área da saúde e permanece ao lado do paciente 24 h/dia. O conhecimento sobre a adequada verificação dos sinais vitais permite o enfermeiro determinar os diagnósticos, traçar as intervenções e avaliar as ações desenvolvidas. Objetivo: Analisar o conhecimento da equipe de enfermagem sobre a semiotécnica para avaliação dos sinais vitais antes e após uma capacitação sobre a temática. Método: Trata-se de um estudo intervencionista, realizado em hospital de ensino em Vitória, Espírito Santo, Brasil. A coleta de dados ocorreu antes e após capacitações em sinais vitais, oferecidas entre os meses de novembro de 2016 e março de 2017. Foram incluídos enfermeiros (Enf) (antes n= 13; após n= 12) e técnicos (Tec) e auxiliares (Aux) (antes n= 24; após n= 21). O questionário utilizado para avaliar a correta semiologia dos sinais vitais era pontuado de zero a 20, no qual zero era a menor pontuação atingida pelo profissional e 20, a pontuação máxima. Análise estatística: para comparação das variáveis contínuas, foi usado teste t de Student ou ANOVA uma via, seguida de pós-teste de Tukey. Para comparações de variáveis categóricas foi utilizado o teste exato de Fisher. p<0,05 foi considerado significante. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde, sob nºCAAE 54867016.0.0000.5060. Resultados: A média de acertos, antes da capacitação, foi de 11,85 ± 0,52 para técnicos e auxiliares (59% de acertos) e 14,69 ± 0,66 para enfermeiros (73% de acertos) (p<0,05). Após a capacitação, a porcentagem de acertos passou para 79% e 84%, para o nível médio e superior, respectivamente. Além do aumento na média de acertos de todas as categorias, a diferença estatística encontrada previamente ao treinamento, entre as categorias profissionais, deixou de existir (Tec + Aux= 15,82 ± 0,72 vs Enf= 16,92 ± 0,47; p>0,05). Os técnicos e auxiliares de enfermagem, após a capacitação, apresentaram melhor desempenho (p<0,05 antes vs após capacitação) para as questões referentes às características do pulso periférico; à verificação da temperatura axilar do paciente; aos fatores que influenciam a temperatura; à semiotécnica de aferição da pressão arterial; ao método palpatório de aferição de Pressão arterial; e ao registro de enfermagem. Conclusões: A capacitação em sinais vitais melhora o conhecimento da equipe de enfermagem e embasa a competência técnica, possibilitando a tomada de decisão clínica e, assim, favorecendo a autonomia profissional para a realização do PE.