APLICABILIDADE DE UM SOFTWARE EM UNIDADES DE INTERNAÇÃO HOSPITALAR
Introdução: O Processo de Enfermagem (PE) é um instrumento metodológico que favorece o cuidado seguro e estabelece direção para que seja realizado de forma sistematizada, planejada, organizada e documentada1. Buscando favorecer a aplicabilidade do PE, Tannure (2012) desenvolveu um software denominado Sistema de Informação com o Processo de Enfermagem em Terapia Intensiva (SIPETi). Possui como fundamentação teórica a Teoria das Necessidades Humanas Básicas de Wanda de Aguiar Horta com dados essenciais à anamnese, exame físico, diagnóstico, planejamento/ intervenções de enfermagem e dados sobre avaliação da assistência através de indicadores de saúde2. Acredita-se que este sistema pode e deve ser adaptado para unidades de clínica médica e/ou cirúrgica, permitindo a ampliação do cuidado de enfermagem. Objetivo: relatar a experiência do uso de um software com o PE para Unidades de Terapia Intensiva em unidades de clínica médica-cirúrgica. Metodologia: relato de experiência vivenciado por duas discentes de uma universidade pública federal de Minas Gerais durante a coleta de dados do projeto de mestrado intitulado “Avaliação da aplicabilidade de um software com o processo de enfermagem em unidades de internação”. O software foi utilizado durante dois meses para avaliação dos pacientes de um hospital filantrópico de ensino de um município da zona da mata mineira. O projeto foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa com seres humanos (CAAE: 45113815.7.0000.5153). Resultados: no período de 09 de janeiro a 09 de fevereiro de 2017 o software foi utilizado na avaliação de 61 pacientes internadas na clínica médica-cirúrgica feminina desde a admissão até a alta, transferência ou óbito. Na clínica médico-cirúrgica masculina, o software foi utilizado entre 10 de fevereiro a 17 de março de 2017,
sendo avaliados 43 pacientes que foram acompanhados diariamente até o desfecho. Após a coleta dos dados elaborou-se um relatório para descrição das mudanças que foram identificadas como necessárias para a adaptação do SIPETi para uso em unidades de internação. Entre os 68 itens presentes nas telas de anamnese verificou-se a necessidade de modificação em 6 e inclusão de 17. Do total de 125 itens que compõem o exame físico avaliou a necessidade de modificação de 6, inclusão de 25 e exclusão de 12. Durante a coleta dos dados observou que o uso do software em um tablet possibilitou a consulta de enfermagem à beira do leito. Além disso, por ser fundamentado em uma teoria de enfermagem, no preenchimento do sistema foram evidenciadas as necessidades afetadas para além das biológicas, permitindo um atendimento holístico. Também se constatou que o tempo despendido inicialmente para preenchimento do sistema era 2 horas, ao adquirir familiaridade com as telas, foi possível concluir em 20 minutos. Conclusões: durante a coleta de dados ficou evidente a diferença e necessidade de organizar a assistência de enfermagem de maneira sistematizada por meio do PE e o quanto um software pode auxiliar positivamente. O relatório desenvolvido será encaminhado para analistas de sistemas para adequações do software, adaptando-o para um Sistema de Informação com as Etapas do Processo de Enfermagem para Unidades de Clínica Médica e Cirúrgica (SIPECLI).