ANÁLISE OCULAR EM PACIENTES COM O DIAGNOSTICO DE ENFERMAGEM RISCO DE OLHO SECO EM TERAPIA INTENSIVA
Introdução: O Diagnóstico de Enfermagem (DE) Risco de olho seco da NANDA International (NANDA-I) é definido como vulnerabilidade ao desconforto ocular ou dano à córnea e à conjuntiva proveniente de uma deficiência quantitativa e/ou qualitativa do filme lacrimal, responsáveis pela hidratação do olho, que pode comprometer a saúde1. Pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) estão predispostos ao desenvolvimento do ressecamento ocular por apresentarem situações clínicas que necessitam de múltiplos medicamentos, suporte ventilatório e demais equipamentos para manutenção da vida2-4. Assim, a análise e verificação da superfície ocular tornam-se de grande importância para detecção, prevenção e implementação de medidas terapêuticas no sentido de prevenir o agravamento e aparecimento de lesões oculares mais graves4-5. Objetivo: Analisar a superfície ocular de pacientes com o Diagnóstico de Enfermagem (DE) Risco de olho seco internados em Unidade de Terapia Intensiva. Método: Trata-se de um estudo transversal desenvolvido na UTI de adultos de um hospital universitário público. A amostra foi constituída por 206 pacientes. Foram utilizados os seguintes critérios de inclusão: pacientes com tempo de internação na UTI superior a 24 horas, idade igual ou superior a 18 anos. Os critérios de exclusão foram: uso de medicamento ocular tópico, pacientes com agitação ou em situações de emergência durante a coleta de dados. Os dados foram coletados entre janeiro e julho de 2016. A inferência quanto à presença do DE foi realizada por um par de enfermeiros diagnosticadores. Para análise dos dados, utilizou-se a estatística descritiva e inferencial. Obteve parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa sob número 918.510 e CAAE 36079814.6.0000.5537. Resultados: Dos 206 pacientes, 52,4% eram do sexo masculino com idade média de 58,41 (±14,98) anos. 43,3% eram aposentados e 88,2% eram praticantes de alguma religião. Da amostra total, 47,6% dos pacientes apresentaram o DE em estudo. Em relação às análises oculares nos pacientes com o DE Risco de olho seco, foram observadas as seguintes relações: hiperemia (valor p: <0,001/ RP[IC]: 0,41 [0,31 ; 0,55]); secreção mucosa (valor p: 0,147/ RP[IC]: 0,76 [0,51 ; 1,13]); edema palpebral (valor p: 0,001/ RP[IC]: 0,47 [0,28 ; 0,78]); quemose conjuntival (valor p: 0,154/ RP[IC]: 0,79 [0,57 ; 1,10]); lagoftalmia (valor p: 0,126/ RP[IC]: 0,74 [0,49 ; 1,12]). Assim, existiram diferenças estatísticas entre o DE Risco de olho seco com a hiperemia e edema palpebral. Ao analisar a razão de prevalência, a ocorrência do DE Risco de olho seco é 41% menor na presença de hiperemia e 47% menor na presença de edema palpebral. Conclusões: Conclui-se que hiperemia e o edema palpebral são informações clínicas significativas para análise nos pacientes com DE Risco de olho seco internados na UTI. Desta forma, a verificação de fatores de risco reveste-se de importância no sentido de identificação precoce e prevenção do ressecamento da superfície ocular e demais agravos subsequentes.