60421

PERFIL CLÍNICO DE PACIENTES COM RESSECAMENTO OCULAR EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA

Favorite this paper

Introdução: O diagnóstico olho seco ou o termo latino “ceratoconjutivite sicca”, podem ser definidos como uma doença multifatorial caracterizada pela inflamação da superfície ocular, alterações na produção lacrimal e modificações na osmolaridade da lágrima. Fatores como idade avançada, doenças hormonais, desgastes de lentes de contato, cirurgias oculares a laser, atividades como o uso prolongado do computador e televisão, pessoas do sexo feminino e fumantes contribuem para o aparecimento do olho seco1. O ressecamento ocular, por sua vez, é uma resposta humana indesejada que pode ser definida com um teste de volumetria do filme lacrimal positivo, associado a um ou mais sinais e/ou sintomas oculares 2. A motivação deste trabalho surgiu a partir da necessidade de conhecer o fenômeno para posteriormente trabalha-lo com as taxonomias NANDA/NOC/NIC. Objetivo: Objetivou-se identificar as características clínicas dos pacientes com ressecamento ocular internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Método: Trata-se de um estudo transversal realizado com 108 pacientes da UTI de adultos de um Hospital Universitário de referência no Rio Grande do Norte. A coleta de dados ocorreu de janeiro a julho de 2016 por meio de um formulário com perguntas sobre dados sociodemográficos e dados clínicos. A inferência quanto à presença do ressecamento ocular foi realizada por uma dupla de especialistas integrantes de um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Os dados obtidos foram tabulados com dupla entrada e exportados para um pacote de dados estatísticos para a realização da análise. O presente estudo obedeceu aos princípios éticos da resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde e CAAE 36079814.6.0000.5537. Resultados: Evidenciou-se que 53,7% eram homens e 46,3% mulheres, ambos com idade média de 57,73 anos. De acordo com o tipo de internação, 76,8% foram cirúrgicas e 23,2% clínicas. Das comorbidades, 56,6% dos pacientes apresentavam hipertensão arterial sistêmica e 26,9% diabetes mellitus. Quanto à avaliação ocular, 77,8% apresentaram fechamento palpebral completo do OD e (74,1%) OE. Apresentou maior incidência de hiperemia em OD (40,7%) quanto ao OE (38,0%). Relativo ao teste de Schirmer, obteve mediana de 3,00 para OD e 4,00 para OE, apresentou relação estatisticamente significativa para a presença ou não do ressecamento ocular. Conclusão: Desta maneira, o conhecimento obtido mediante o presente estudo apresenta notável relevância no intuito de apontar indicadores que possam sinalizar a necessidade de ações que previnam o surgimento do ressecamento ocular em pacientes internados em UTI. Contribuições para a Enfermagem: O conhecimento obtido com a realização desta pesquisa é relevante para que se possa prever a garantia de um cuidado assistencial direcionado a saúde ocular, por meio dos indicativos clínicos que foram levantados antevendo uma potencial intervenção. A enfermagem enquanto ciência poderá trabalhar na prevenção do ressecamento ocular mediante a inferência do Diagnostico de Enfermagem Risco de Olho Seco, que será previamente inferido a partir do conhecimento do perfil clínico desses pacientes. Com a inferência precoce as chances de desenvolver o fenômeno são potencialmente diminuídas, pois a intervenção Prevenção do Ressecamento Ocular poderá ser iniciada precocemente.