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DIFICULDADES NA IMPLANTAÇÃO DA SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA EM CENTRO CIRÚRGICO: REVISÃO INTEGRATIVA

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Introdução: O centro cirúrgico trata-se de um setor fechado, isolado e de maior complexidade dentro do contexto hospitalar, dinâmico, estressante, hostil, apresentando um ambiente físico frio e fechado, estimulando o silêncio e o distanciamento da equipe multidisciplinar do paciente. Nesse contexto, a Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória (SAEP)1, é um valioso instrumento para que o cliente seja assistido de forma integralizada, contínua, segura e humanizada pela enfermagem. Esta pode ser conceituada como um instrumento metodológico que sistematiza a prática e proporciona a percepção, interpretação e antecipação das respostas individuais às alterações de saúde, bem como a intervenção adequada, planejada e fundamentada dos problemas identificados e a avaliação dos resultados2. Objetivo: Identificar por meio de revisão integrativa da literatura, as dificuldades encontradas pelos enfermeiros de Centro Cirúrgico na Implantação da SAEP no período perioperatório. Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura referente aos últimos cinco anos nas bases de dados Lilacs, Pubmed e Medline, com os descritores: assistência perioperatoria, enfermagem perioperatória, processos de enfermagem, utilizando o operador boleano “and” sendo devidamente aprovado pelo comitê de ética sob o número 455/2016. Resultados: Foram encontrados por meio da busca primária 123 artigos nas bases de dados Lilacs, Pubmed e Medline, sendo selecionados pelo resumo 62 estudos, destes retirou-se 13 repetidos, restando 33 artigos, onde 17 encontravam-se dentro da temática estudada sendo utilizados para a discussão. Identificou-se que a maioria dos profissionais acreditam ser a SAEP uma prática indispensável ao atendimento de qualidade para os pacientes, porém os mesmos ainda enfrentam dificuldades para implantá-la. Dentre as dificuldades encontradas destacaram-se a não capacitação da equipe para execução do processo de enfermagem; a falta de domínio no exame físico e a falta de interação da equipe; falta de um protocolo no hospital que determine a sua realização; estrutura organizacional; funções administrativas e assistencial concomitantes; horário de internação; escassez de recursos humanos; falta de formulário específico para a visita; excesso de rotinas nas unidades; falta de planejamento; mapa cirúrgico não confiável e falta de prioridade à visita pré-operatória3. As dificuldades aumentam mais ainda, quando a administração das unidades de saúde, não compreendem a importância da atuação do enfermeiro na assistência ao paciente cirúrgico, proporcionando um desvio da sua função assistencial para gerencial. A literatura aponta ainda, como principal desafio à implementação da SAEP, a falta de tempo e a sobrecarga de atividades4. Conclusões: É notório que a implementação da SAEP é um desafio para o enfermeiro cirúrgico, entretanto, possibilita a melhoria da assistência prestada, permitindo ao enfermeiro a coleta do histórico do paciente e a identificação de suas particularidades para tornar a assistência de enfermagem individualizada e eficaz, minimizando riscos e complicações no pós-operatório. Acredita-se, ainda, que o enfermeiro precisa dedicar-se à realização da SAEP, tendo em vista que a prática em saúde no centro cirúrgico demanda estudos de intervenção para que os conceitos já desenvolvidos possam ser validados no cotidiano da assistência, explicitando suas contradições e possibilidades, os quais representam um desafio para o enfermeiro, possível e essencial.