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FATORES DE RISCO PARA GLICEMIA INSTÁVEL EM PESSOAS COM DIABETES MELLITUS TIPO 2: REVISÃO INTEGRATIVA

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Introdução: Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é um problema de saúde pública em todo o mundo. Pessoas com DM2 que apresentam glicemia instável estão vulneráveis a comprometimento da produtividade, qualidade de vida e menor sobrevida, com consequentes complicações e elevados custos aos serviços de saúde. Assim, enfermeiros têm responsabilidade na identificação de fatores de risco (FR) que levam à glicemia instável nessas pessoas. Risco de glicemia instável (00179) é um diagnóstico de enfermagem da NANDA International (NANDA-I) com 16 fatores de risco (FR) apoiados em três referências publicadas entre 2003-2005. Logo, é premente revisão acerca dos FR desse diagnóstico. Objetivos: Identificar FR para glicemia instável em pessoas com DM2 e determinar correspondências entre esses FR com aqueles descritos pela NANDA-I. Método: Revisão integrativa da literatura guiada pela questão “Quais são os FR de glicemia instável em pessoas com DM2?” O acrônimo PICO (Paciente, Fenômeno de Interesse, Comparação e Outcome=Desfecho) foi utilizado para elaborar a estratégia de busca no PubMed e Cinahl. Incluíram-se estudos que investigassem variação glicêmica capaz de comprometer a saúde como desfecho, definida como aquela que provoca aumento ou diminuição da glicose sérica publicados de 2010 a 2015 em inglês, português ou espanhol e com adequada qualidade metodológica segundo o Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology. A seleção dos artigos foi realizada por duas pesquisadoras independentemente e as inconsistências resolvidas por consenso. Classificaram-se os FR como associados a maior probabilidade de aumento ou de diminuição dos níveis glicêmicos. Resultados: Recuperaram-se 2898 artigos. A amostra final foi composta por 23 artigos. A maioria dos artigos incluídos tratou da redução dos níveis glicêmicos, com destaque para a hipoglicemia grave. Identificaram-se 18 FR para variação glicêmica, dos quais cinco correspondiam aos da NANDA-I (Controle insuficiente do diabetes, Alteração no estado mental, Atraso no desenvolvimento cognitivo, Condição de saúde física comprometida e Perda de peso excessiva) e 11 não estavam descritos na classificação (p.ex., macroalbuminúria, maior tempo de diagnóstico de DM, sonolência diurna e polimorfismos genéticos). Discussão: Os resultados desta revisão fornecem evidências sobre condições que aumentam a vulnerabilidade para variações nos níveis glicêmicos de pessoas com DM2 e ensejam a implementação de ações preventivas. Esses FR necessitam ser definidos conceitual e operacionalmente para serem submetidos a processos de validação de conteúdo e clínica e podem contribuir para nortear estratégias de gerenciamento de cuidado e prevenir os efeitos deletérios da variação glicêmica. Conclusões: Identificaram-se FR de glicemia instável correspondentes àqueles da NANDA-Ie novos FR. Esses achados contribuem com o refinamento da classificação de diagnósticos da NANDA-I e para aumentar o nível de evidência do diagnóstico.