44949

O MOVIMENTO MATEMÁTICA MODERNA COMPREENSÕES A PARTIR DA ANÁLISE DA OBRA “MATEMÁTICA”

Favoritar este trabalho

A intenção desse artigo é apresentar e discutir as ideias de nossa pesquisa de mestrado, em desenvolvimento junto ao GHOEM – Grupo de História Oral e Educação Matemática, no Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática – PGEM – UNESP/Rio Claro.
Nossa investigação tem como objetivo principal apresentar uma versão sobre o Movimento Matemática Moderna a partir da análise da coleção Matemática – Curso Ginasial, publicada pelo SMSG – School Mathematics Study Group, traduzida para o português em 1967, pelos Professores Lafayette de Moraes e Lydia Conde Lamparelli.
Para realizar nossa análise mobilizamos o referencial metodológico da Hermenêutica de Profundidade (HP), apresentada por Oliveira (2008) a partir de um trabalho de John Thompson (1995) que discute a interpretação de formas simbólicas. Tomando formas simbólicas como produções humanas intencionais, Oliveira argumenta que podemos considerar os livros didáticos como formas dessa natureza e que, portanto, para uma análise desses materiais que siga os pressupostos da HP devem ser considerados três vertentes desses materiais: a formal-descritiva, a sócio histórica e a interpretação/reinterpretação.
A análise formal/descritiva é o momento da análise no qual são investigados os aspectos “internos” das obras que compõem nossa pesquisa. Tal análise é corporificada em descrições do material analisado, em que procuramos considerar a sequencia e o modo com que os conteúdos são apresentados, a metodologia utilizada pelo autor, o nível de ensino para o qual o livro foi produzido e, sempre que possível, elementos adicionais, como prefácios, notas de tradução, capa, ilustrações, tais informações podem nos auxiliar tanto na compreensão de aspectos internos (e externos) das obras.
A análise sócio–histórica é o momento em que o foco da investigação concentra-se no contexto social em que a obra foi produzida. É um dentre os momentos em que se pode avaliar com mais clareza a plausibilidade de nosso esforço interpretativo. Para realizar essa etapa da análise nos apoiamos em depoimentos orais recolhidos por pesquisadores – especialmente os membros do GHOEM. Cabe ressaltar, aqui, a pertinência de um banco de dados criado durante nossa Iniciação Científica, que nos auxiliará na análise dos depoimentos. Desse banco de dados inicialmente pretendemos resgatar os momentos em que, em cada depoimento, há referências ao Movimento Matemática Moderna. Buscamos compreender, a partir de informações contidas nas falas de professores, alunos e administradores escolares atuantes no período de vigência do Movimento, formas de apropriação, de cada um deles, do ideário do MMM.
O terceiro e último momento de análise desenvolve-se o estudo das aproximações e divergências entre a obra e seu contexto; entre as intenções manifestas do autor e o modo com que essas intenções chegaram aos seus leitores e se transformaram em práticas escolares. É um momento da análise que se faz, portanto, no cotejamento entre os dois momentos anteriores, em que se tenta compreender as relações entre a produção, as formas de produção e a interferência do contexto sócio-político na elaboração do livro didático.
Desses três movimentos interpretativos – que não ocorrem linearmente, ainda que aqui tenham sido apresentados sequencialmente – construímos uma interpretação da obra. Desta forma, pretendemos constituir uma narrativa acerca das premissas do MMM embasada em uma produção didática que influenciou muitos outros livros didáticos em diversos países. Com essa análise pretendemos identificar aspectos dos conteúdos contemplados pelo Movimento e as premissas para seu ensino, tecendo, assim, diferentes narrativas acerca do MMM.
Ao iniciarmos nossa análise das obras que compõem nosso estudo, notamos que uma das características essenciais da coleção refere-se a sua abordagem sequencial, que vale-se constantemente da retomada de conteúdos já vistos para o estudo de novos conceitos.
No período em que os livros foram produzidos estava em evidência o lançamento dos satélites russos Sputnik I e II. Percebemos a influência desse acontecimento na elaboração das obras nos vários momentos em que os autores destacam que viviam na “Era Espacial” e evidenciam a importância da matemática no desenvolvimento da tecnologia.
Vale ressaltar, ainda, que, segundo nossa perspectiva, os autores utilizam uma linguagem simples, seja ela a linguagem usual – da língua corrente – ou a linguagem matemática. Além disso, sempre que novos símbolos ou termos são introduzidos são ressaltados seu significado e a importância do seu uso.