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Lourenço Filho e a Matemática dos testes ABC

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Este trabalho insere-se no conjunto de investigações empreendidas pelo Grupo de Pesquisa de História da Educação Matemática – GHEMAT, que atualmente investiga como Projeto mais amplo “Lourenço Filho e a Matemática da Escola Nova”[1]. Considerando que raríssimos estudos investigam a educação matemática no nível primário, no período 1930-1960, o objetivo dessa pesquisa é analisar a produção de Lourenço Filho em termos das avaliações dadas pelos chamados testes ABC[2]. Em específico, tratará dos elementos matemáticos contidos nesses testes. Ao final da I Guerra Mundial entra-se num período de dar ao processo educativo, novas bases, novos paradigmas. Surge a renovação pedagógica e o desafio de romper com os modos considerados tradicionais que emergem um novo modo de pensar o papel do professor no processo educativo: a criança deve ser o centro do ensino. As idéias renovadoras subsidiam reformas de ensino em vários estados brasileiros durante, praticamente, toda a década. Esse é o caso da reforma de Lourenço Filho, no Ceará (1922-1923); de Anísio Teixeira, na Bahia (1925); de Francisco Campos, em Minas Gerais (1927-1928); de Fernando de Azevedo, no Distrito Federal (1928); de Lisímaco da Costa, no Paraná (1928) e de Carneiro Leão, em Pernambuco (1928)Diante da imensa produção de pesquisas sobre Manoel Bergström Lourenço Filho, não há existência de textos que tenham analisado as propostas para ensino de matemática, que foram elaboradas por esse educador. Em tempo recente, dois estudos tratam do tema no âmbito das pesquisas sobre história da educação matemática[3]. O primeiro deles constituiu capítulo da obra “O curso de Lourenço Filho na Escola Normal do Ceará”, publicado em 2009, e organizado pelas historiadoras da educação Maria Helena Camara Bastos e Maria Juraci Maia Cavalcante. Já o segundo estudo, constitui-se na tese de Livre Docência do professor Dr. Wagner Rodrigues Valente, defendida em 2010, junto ao Departamento de Educação da UNIFESP, intitulado “A Matemática na formação do professor do ensino primário – São Paulo, 1875-1930”, que também foi publicado em livro no ano seguinte. Nesse contexto, a realização da pesquisa lançará mão de base teórico-metodológica referenciada na História Cultural; em específico, à vida cotidiana das escolas, aos significados construídos no meio escolar que dão vida e funcionamento ao dia-a-dia pedagógico. Ou seja, ao que se pode chamar de cultura escolar. E, nesse cenário, interessam as transformações que ocorrem ao longo do tempo com a matemática nela presente: a matemática escolar. No caso da documentação do Arquivo Lourenço Filho, a referência fundamental recai sobre o texto seminal do historiador Jacques Le Goff, “Documento e Monumento”: como ler monumentos e transformá-los em documentos para a história; no que toca aos livros didáticos, o projeto lançará mão de estudos que já desenvolvidos em trabalhos anteriores, sintetizados no artigo “Livro didático e educação matemática: uma história inseparável” (VALENTE, 2008). O desenvolvimento da pesquisa irá orientar-se, sobretudo, pelo uso de dois tipos de documentos que tratem dos elementos matemáticos contidos nos testes: aqueles do Arquivo Pessoal Lourenço Filho (localizado no Rio de Janeiro, no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil / Escola de Ciências Sociais e História da Fundação Getúlio Vargas - FGV) e as obras didático-pedagógicas para o ensino de matemática de autoria de Lourenço Filho, encontradas em todas as suas diferentes edições no Acervo da Editora Melhoramentos. [1] O Projeto foi elaborado pelo professor Dr. Wagner Rodrigues Valente, da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP, campus Guarulhos e tem seu desenvolvimento previsto para 2012-2014. [2] Os testes ABC, desenvolvidos por Lourenço Filho, visavam buscar de forma eficaz e segura, dados qualitativos e quantitativos sobre a capacidade de aprendizagem dos alunos, cujo objetivo estava em classificar os alunos em idade escolar, mediante a separação dos mesmos em classes homogêneas. [3] Nos termos do projeto mais amplo, elaborado por Valente (2012), é preciso que atente para a grafia “história da educação matemática”, diferentemente da escrita “História da Educação Matemática”. A segunda refere-se à história de recente campo de pesquisa que, no Brasil, tem origens em finais da década de 1980. Já por “história da educação matemática” entenda-se o processo histórico de ensino e de aprendizagem da Matemática em sentido lato.