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A PERCEPÇÃO DOCENTE SOBRE O MOVIMENTO DA MATEMÁTICA MODERNA EM RIO DE CONTAS – BA (1960,1970 E DIAS ATUAIS)

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O Movimento da Matemática Moderna (MMM), introduzido no Brasil, especialmente em 1960 e 1970, provocou mudanças significativas nas práticas pedagógicas escolares. Tais mudanças eram justificadas pela intenção de diminuir o descompasso existente entre os estudos científicos e tecnológicos e a defasagem vigente do ensino desenvolvido nas escolas. No entanto, pouco conhecemos o alcance e as implicações dessas mudanças nas práticas pedagógicas de Matemática na Bahia e, em especial, no município de Rio de Contas. Neste sentido, procuramos, no estudo, identificar quais reações os professores da cidade apresentaram frente à implantação das novas propostas curriculares e métodos de ensino. Foi de nosso interesse contribuir para compreensão de como se deu o processo de apropriação do significado de conceitos matemáticos a partir do movimento citado, enfocando o posicionamento dos professores diante das novas exigências atribuídas; e quais conseqüências foram desencadeadas no processo de ensino-aprendizagem com a inserção das ideias do MMM no cotidiano escolar no município citado. O alvo da pesquisa constituiu na implementação de reflexões sobre a situação do Ensino de Matemática desenvolvido: Quais as alterações ocorridas no processo de ensino-aprendizagem com a chegada da Matemática Moderna? O que foi feito pra melhorar a atuação do professor na sala de aula? Houve resistência por parte dos docentes? Diante às novas exigências, quais dificuldades enfrentadas por estes profissionais da educação? O que impediu o corpo docente de estabelecer inovações na melhoria da atuação seus alunos em relação à disciplina? Analisamos as atuações docentes no Ensino Fundamental, especificamente de 5º a 8º série, com a intenção de investigar as dificuldades sofridas pelos professores nesse processo educacional e fomentar, por meio do processo histórico da educação e do conhecimento matemático, algumas reflexões dos problemas de ensino atual. Metodologia O público alvo da pesquisa foram professores e ex-professores de Matemática, da rede pública de ensino no município de Rio de Contas, Bahia. A pesquisa qualitativa que fora realizada na cidade de Rio de Contas começou com a observação, o reconhecimento do local em que seria realizada a pesquisa e a descoberta prévia dos sujeitos envolvidos. Lá iniciamos a coleta de dados tendo em vista o objeto de estudo através de questionários, que foram respondidos pelos professores.   Neste movimento de investigação, nossos objetivos foram os de localizar documentos, resgatar memórias e, principalmente, contribuir com a historiografia da educação riocontense. Para tanto, fizemos uso da história oral e da pesquisa bibliográfica e documental. Tendo a História Oral como metodologia de pesquisa, trabalhamos com o testemunho oral de professores ligados por traços comuns. Entrevistamos de maneira formal e informal professores e ex-professores das escolas da rede citada acima, analisando suas falas, comportamentos e atitudes frente à Matemática. Solicitamos aos professores que apontassem suas principais dificuldades sofridas na implementação da prática pedagógica e durante este período faremos a avaliação dos dados previamente coletados. Com base nos dados levantados, elaboramos nossa pesquisa com ênfase no material teórico e prático a fim de descobrir as maiores dificuldades docentes antes, durante depois do Movimento da Matemática Moderna, na tentativa de propor uma reflexão para os problemas que foram encontrados. Resultados: Na década de 60 foi imposta aos professores riocontenses a participação em cursos oferecidos pela CADES na cidade de Salvador – BA, para inserção das idéias modernizadoras do MMM no cotidiano educacional desse município. Na análise dos documentos escolares da década de 60 e 70 percebemos que, mesmo com dificuldades como: baixos salários, a falta de recursos tecnológicos, faltas de livros (poucos alunos tinham acesso aos livros didáticos); a taxa de evasão e repetência na disciplina de Matemática eram baixas. Segundo relatos dos docentes da época esse sucesso escolar adivinha não só das novas teorias do MMM como também da disciplina no comportamento dos alunos, característico do período ditatorial; da motivação e participação dos pais no processo de ensino, e do número adequado de alunos em sala de aula. Atualmente é comum entre os professores riocontenses de reclamarem do desinteresse e da desmotivação dos seus alunos. Essa insatisfação é observada na sala dos professores, dentro da escola, nas salas de aula, nas conversas dos corredores entre os professores. As principais dificuldades apontadas na pesquisa pelos professores atuais incidiram nas más condições subjetivas e objetivas dos docentes na realização da prática pedagógica. Os profissionais da educação citaram como maiores agravantes: os baixos salários; as salas superlotadas; a falta de interesse dos pais e alunos; extensa carga horária e carência de tempo para dedicar-se a formação profissional; falta de recursos materiais; descaso do governo; falta de autonomia docente e a presença de alunos com deficiência em conhecimentos mais básicos. Outra barreira foi encontrada no critério de um dos professores da rede pública de ensino atual na consideração da Matemática como “ciência perfeita”. Mesmo com a implantação do MMM, muitas vezes a Matemática é apresentada como um conhecimento pronto, acabado e descontextualizado. A consequência desse pensamento em sala de aula é a imposição autoritária do conhecimento matemático pelo professor que domina e o transmite a um aluno passivo, que deve se moldar à autoridade do conhecimento da ”perfeição científica”. A excessiva utilização da prática pedagógica tradicional, mesmo com a implantação do MMM, não contribui para que a escola se torne atrativa. Nessas perspectivas, é importante que o professor esteja aberto para trazer esse dinamismo e essa contemporaneidade à sala de aula. Vivemos na era da imagem. Precisamos educar o aluno também nesse contexto. Para uma educação transformadora é necessário partir do vivido, dos problemas que estão inseridos nas comunidades sendo que uma maneira eficaz de conhecer o aluno é conhecer a sua comunidade. As múltiplas dificuldades que incidem nas atividades docentes advêm fundamentalmente de condicionantes estruturais da sociedade e do sistema de ensino. É inquestionável que as transformações no ensino são inseparáveis das transformações sociais mais amplas.