O museu e seus públicos: a percepção dos funcionários terceirizados sobre o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST)
Este trabalho é resultado do meu trabalho de conclusão de curso (TCC), finalizado em 2016, para obtenção do título de Bacharel em Antropologia e tem como objetivo analisar as representações que os funcionários terceirizados constroem sobre o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). Ao longo da pesquisa busquei contrastar essas representações com as imagens oficiais da instituição. O grupo estudado é formado por colaboradores terceirizados que integram o quadro geral de funcionários de suas respectivas empresas e prestam serviços de diversas naturezas ao museu. Assim, tais terceirizados podem ser também considerados como parte constituinte dos públicos do MAST. Essa pesquisa procura abordar a percepção que alguns desses funcionários terceirizados têm a respeito do discurso oficial produzido, disseminado e difundido pelo MAST em suas mais variadas nuances. A inexistência de relações, inferioriza o indivíduo e a sua condição de anonimato permanece. Nesse sentido, esses funcionários terceirizados sofreram algum tipo de pressão, seja por meio da ausência de interação com as produções museológicas, seja pela carência da relação pessoal com a instituição. Minhas observações sobre esses deslocamentos me ofereceram dados importantes sobre o contexto onde os atores, os sujeitos aqui mencionados, tecem suas relações sociais, interagem e têm acesso aos diversos setores, sejam eles internos ou externos. Vale a pena salientar que a pesquisa transcorreu também dentro de um quadro comparativo sobre os discursos oficiais que o museu promove, enfatizando as motivações, os interesses que perpassam e gravitam em torno desses sujeitos. Ao discorrer sobre o conceito de museu e suas relações a partir da visão do setor terceirizado evidenciam-se os processos que envolvem a concepção de museu enquanto uma instituição pertencente à esfera pública tendo o seu setor educativo como mediador entre público e o acervo. Nem sempre os museus foram públicos, assim como nem sempre existiram os setores educativos em museus, pelo menos da forma como o concebemos atualmente. A pesquisa utiliza a Etnografia como método para as observações das práticas de alguns desses agentes e tem como referencial teórico autores que ao defenderem a democratização das instituições culturais em geral, percebiam o museu como um meio de comunicação que deveria ser útil ao público. Entre os autores brasileiros a pesquisa utilizou Maria Esther Valente (2003), que aponta que estudar uma instituição como o museu é refletir sobre o processo de abertura das grandes coleções ao público, acrescentando que após a Segunda Guerra Mundial o museu passa a ser alvo de críticas severas, assumindo um novo papel. Eventos como o Seminário do Rio, ocorrido em 1958 e realizado pela Unesco, têm como um dos objetivos discutir e propor a ampliação do papel educativo nos museus. Nessa nova perspectiva, um modelo de museu que enfatizava o objeto pelo objeto é substituído por outro que pensava o objeto enquanto revelador da organização social e seus significados. Assim, é preciso reconhecer que o compromisso com o público foi se tornando crescente com o passar do tempo e hoje ocupa, se não a principal, uma das principais missões do museu enquanto instituição pública. A presente pesquisa não procurou resolver problemas ou apontar soluções para os problemas cotidianos no museu, mas alerta para a concepção do futuro Centro de Visitantes do MAST, deixando como sugestão a importância de avaliar os impactos da sua construção, refletindo se de fato ele cumprirá o seu propósito ou apenas ficará no campo do devir. Mais do que ter um espaço voltado especificamente para o visitante, é preciso acompanhar de perto os públicos da instituição, levando em consideração as diversas falas dos diversos públicos, incluindo a dos funcionários terceirizados. Ressaltamos que as entrevistas realizadas traçam um cenário normalmente não percebido por parte da instituição. Penso que talvez essa seja uma das possíveis contribuições de meu trabalho.