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Comunicação na era pós-like: os recentes paradigmas do discurso digital

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A seguinte proposta de trabalho tem como justificativa o pressuposto de que exista um período relativamente novo dentro da contemporaneidade e do mundo pós-moderno, que chamaremos de pós-like. Neste período, o discurso digital e quaisquer ações na internet que tenham como foco algum tipo de expressão (política, estética, informativa) por meio de textos, fotos, vídeos, músicas ou notícias são valorizadas (e algumas vezes monetizadas) para além da transmissão-recepção, mas também por uma reação assumidamente positiva (o like). Ou seja, na era pós-like não basta apenas divulgar, mas é preciso ter a divulgação curtida, compartilhada, comentada. Neste sentido, propomos a apresentação (aprofundamento-sequência) de uma pesquisa realizada enquanto aluno especial na disciplina Estética da Comunicação, do programa de pós-graduação scritu sensu da Universidade de Brasília, em 2017, cujo foco é um estudo comparado da rede social Instagram e o livro A Câmara Clara: notas sobre fotografia, (BARTHES, 1980). Do ponto de vista comunicacional temos por objetivos discutir as formas como nós dialogamos por meio de imagens (selfies/autorretratos, etc.) e textos (prosa/poesia, etc.), qual o lugar do discurso na disseminação deste tipo de conteúdo e quais seus desdobramentos a partir da tendência atual observada nos debates instaurados na internet: a da disputa pela razão, mesmo que seja baseada somente em opiniões ou sob a manutenção de uma perspectiva dicotômica da verdade, proporcionada sobretudo pelo poder de fala/escrita/exposição. Além disso, interessa-nos discutir os aspectos da mediação científico-tecnológica, uma vez que as constantes mudanças que o avanço tecnológico e os processos de modernização da vida proporcionam às pessoas, a internet tem sido a protagonista mais presente e cada vez mais tem se tornado um objeto de pesquisa, de discussão e de julgamentos. O que une tais abordagens é a relação que se estabelece a partir de algumas contradições que surgem na sociedade da informação, como publicações orgânicas X pagas, financiamento público, (corte de) verbas destinadas a bolsistas no Brasil e outras, como aponta OLIVEIRA (2003), ao apresentar os quatro pontos a seguir, os quais cito na dissertação de mestrado Webliteratura: novas formas de ler, escrever e interagir (UNICAMP, 2014). São elas: a dispersão e a efemeridade geradas a partir do excesso de informações, uma vez que é difícil ao consumidor absorver de maneira profunda o que recebe, valorizando apenas os aspectos principais da informação; b) possibilidades de participação maior no circuito de produção de informação a partir das novas características dos suportes tecnológicos midiáticos, devido à facilidade dada ao consumidor de produzir e trocar informações baseada no avanço e aperfeiçoamento constante das novas tecnologias de mídia que permitem a ele interagir; c) possibilidades de constituição de redes de solidariedade e identidade sem fronteiras e controles, uma vez que o consumidor - na internet, por exemplo - procura outros consumidores que têm os mesmos ou parecidos gostos e interesses, formando assim, webcomunidades que os unem, independentemente de espaços geográficos e d) tendências a gerar comportamentos esquizoides ou substituir as relações pessoais físicas pelas relações virtuais, pois o “existir virtualmente” possibilita ao consumidor criar uma vitrine muitas vezes falsa daquilo que realmente é, já que é possível o anonimato. Além disso, a relação virtual tende a ser mais cômoda que a física. Sendo assim, numa pesquisa que se depara com contradições em um mundo em constante movimento, sobretudo quando falamos de internet, optamos por uma análise que contempla: 1) a contextualização histórica dos meios de comunicação online, do discurso digital e de novos aparatos tecnológicos, necessária para introduzirmos as questões acima especificadas; 2) um panorama sobre a era pós-like, a partir da popularização das redes sociais mediadas pela internet; 3) uma análise dos conceitos de dissimulação e simulação (BAUDRILLARD, 1991) para discutirmos a presença online enquanto forma de existir no mundo virtual; 4) as consequências dos processos de hiperinformação, alienação e o fetichismo da tecnologia libertária (MORETZSOHN, 2017) e; 5) exploração das formas como o like atua e altera (se altera) a forma como nos comunicamos e divulgamos informação. Apesar de não haver conclusões exatas sobre a pesquisa iniciada, os caminhos indicam que o período pós-like é mais uma das atualizações da vida off-line, onde memes e GIFs misturam-se ao ativismo de classes pela internet, mas também à autopromoção, ao debate político, aos nudes. A questão agora é saber como definimos nossos critérios de avaliação do discurso digital e como nos tornarmos aptos para lidar com critérios de outros sobre nós. A fim de enriquecer o debate, pretendemos expor, como forma complementar aos resultados, alguns dados paralelos de análise de redes sociais colhidos a partir de relatórios desenvolvidos no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), em Brasília, instituto de pesquisa vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações (MCTIC), onde atuo, desde o início de 2017, na área Divulgação Científica e Tecnológica, desenvolvendo metodologias de comunicação em diversos projetos.