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A REPRESENTAÇÃO DA MULHER E DO HOMEM NEGRX NA MINISSÉRIE “SEXO E AS NEGAS”

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Este trabalho tem como objetivo desenvolver uma análise da minissérie “Sexo e as negas”, que foi ao ar na Rede Globo de 16 de setembro de 2015 a 16 de dezembro deste mesmo ano. Buscou-se verificar como mulheres e homens negros são representados, bem como em quais situações aparecem como protagonistas. Decidiu-se analisar a minissérie devido ao fato de que ela gerou muita polêmica entre acadêmicxs e militantes negrxs, mesmo antes de ir ao ar, que acusavam a minissérie de reforçar estereótipos raciais. Nesta análise buscamos responder às seguintes questões: Em quais situações o homem e a mulher negra são protagonistas? Este protagonismo leva a uma representação positiva das pessoas negras na mídia? A minissérie reforça os estereótipos que envolvem ser homem e mulher negra no Brasil ou rompe com eles? Para realizar esta análise, no que diz respeito a representação da pessoas negra na mídia foi usado como referência teórica o trabalho de Joel Zito de Araújo e Solange Martins Couceiro de Lima. Para pensar a construção e reforço de estereótipos foi usado o conceito de Estigma de Erving Goffman. Para analisar a representação, especificamente da mulher negra, utilizou-se como referência Suely Carneiro, Ana Cláudia Pacheco e Lélia Gonzalez. Com relação à parte técnica da análise foi usado como referência e José de Souza Martins. Constatou-se que a minissérie contribui para reforçar visões de mundo racistas e machistas e não para a superação das mesmas. Constatou-se que as pessoas negras foram protagonistas apenas dentro dos estereótipos raciais atribuídos a elas, não havendo questionamento, mas sim um reforço de tais estereótipos – estes foram apenas evidenciados e não criticados. Percebeu-se que dois dos pilares do racismo brasileiro, o branqueamento e o mito da democracia racial serviram de base para a construção da grande maioria das cenas e argumentos na minissérie.