História e Retórica: as ideias republicanas na chancelaria de Coluccio Salutati (1331-1406)

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Detalhes
  • Tipo de apresentação: Iniciação Científica-Oral
  • Eixo temático: 3.5 UFF - Ciências Humanas
  • Palavras chaves: Republicanismo; Retórica; Renascimento Italiano;
  • 1 Universidade Federal Fluminense

História e Retórica: as ideias republicanas na chancelaria de Coluccio Salutati (1331-1406)

Resumo

Tendo como espaço de intensa interatividade e circulação cambial, demográfica e político-diplomático, a Itália setentrional forja um caráter sui generis com a instituição de governos declarados como republicanos, entre os séculos XII e XV. É neste cenário de instabilidade diplomática, com as ingerências supranacionais do Papado ou do Sacro Império Romano, que a chancelaria florentina se configura como salvaguarda das instituições e da libertas republicana. Nesse sentido, o projeto investiga a emergência do republicanismo desenvolvido em Florença, sobretudo nos séculos XIV e XV, tendo como escopo de análise documental os escritos epistolares e político-filosóficos da chancelaria conduzida por Coluccio Salutati (1331-1406). Atualmente nos dedicamos à análise de dois documentos: a Invectiva In Florentinos, do Chanceler milanês A. Loschi e a réplica de C. Salutati, a Contra Invectiva, e a percepção de sua relevância enquanto motor e disseminador dos ideias republicanos pela península itálica. A percepção da emergência do republicanismo enquanto fenômeno político está, segundo autores como H. Baron, E. Garin ou N. Bignotto, atrelado ao conceito de humanismo cívico, sobretudo no âmbito da preocupação dos chanceleres em delinear uma linguagem política indissociavelmente vinculada com a participação e manutenção das instituições citadinas com a revalorização da retórica em comunhão com a ética. É plausível observar nos escritos de C. Salutati, a revalorização da retórica em dois planos. A sua associação no plano cívico – a palavra (persuasão para o consenso) adquire destaque no espaço de interações da ordem republicana. E num segundo plano, a retórica rememorada em seu plano ético para com o espaço público. Afinal, como nos lembra Cícero, em seu De Oratore, é preciso falar bem e falar para o bem. Paralelamente, o recorte da História das Ideias Políticas, enquanto parâmetro metodológico de pesquisa (tendo como base autores como J Pocock ou Q. Skinner), se enquadra como peça de fundamentação desta análise. Nossa investigação gira em torno da seguinte questão: acreditamos que a epistolaria de C. Salutati é uma das primeiras tentativas, no âmbito da preservação do governo de perfil republicano, de formular uma defesa diplomática pautada no pensamento filosófico-político de autores greco-romanos (sobretudo Cícero e Quintiliano). Tal modelo republicano (com a retomada de pautas firmadas na sustentação de liberdades cívicas, isonomia e preservação das leis/instituições) emerge, no pensamento salutatiano, e como uma possibilidade objetiva a ser defendida contra as ofensivas expansionistas de Milão, conduzidas pelo duque Gian Galeazzo Visconti e associadas à tirania.

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