Desenvolvendo cultivares resistentes à doenças: fenotipagem de linhas recombinadas de pimentão e pimentas para resistência à antracnose

Vol 3, 2022 - 149394
Iniciação Científica-Oral
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Resumo

A antracnose está entre as doenças que mais afeta a produtividade em diversas culturas, gerando prejuízos desde o plantio até a pós-colheita. A ampla variabilidade do patógeno tem dificultado o desenvolvimento de cultivares com resistência estável e de amplo espectro. Até o momento, no Brasil, não existem cultivares de pimentão e pimentas resistentes à antracnose. Este trabalho teve por objetivo fenotipar e selecionar 105 linhas recombinadas F7 de pimentão e pimentas desenvolvidas dentro de um programa de melhoramento de plantas da UENF para resistência à antracnose. Essas linhas são oriundas do cruzamento entre UENF2285 (pimentão suscetível) e UENF1381 (pimenta resistente) e conduzidas pelo método SSD. Os frutos foram fenotipados para resistência à antracnose nos estádios imaturo e maduro. Quatro plantas de cada progênie F7 foram cultivadas em casa de vegetação, em DBC, totalizando 420 plantas. Quatro frutos no estádio imaturo e quatro maduros de cada planta foram colhidos e limpos, com a retirada do cálice e pedúnculo, imersão dos frutos em álcool 70% v/v, seguida por hipoclorito a 0,02% v/v e lavagem tripla em água deionizada autoclavada. Três frutos imaturos e três maduros foram inoculados com 10 µL de suspensão de 1 x 106 conídios. mL-1 do isolado 8.1 de Colletotrichum scovillei, e sobre a gota depositada foi realizado um ferimento com agulha entomológica. Um fruto foi utilizado como controle negativo, sendo inoculado com água deionizada autoclavada. A severidade da doença foi avaliada diariamente durante sete dias após a inoculação, por meio de escala de notas, de um (resistente) a nove (suscetível). Com o auxílio do programa Selegen foram identificadas as linhas resistentes à antracnose nos diferentes estádios de maturação. A estimativa de herdabilidade para a média da família para nota do último dia foi de 64% e 77% para frutos imaturo e maduro, respectivamente, permitindo inferir que as linhas serão selecionadas com precisão. Treze linhas resistentes para frutos imaturos, 12 resistentes no estádio maduro, e duas resistentes em ambos os estádios de desenvolvimento (307 e 254) foram selecionadas. As linhas 258, 313 e 184 tiveram as menores notas e não desenvolveram sinais e sintomas da antracnose no estádio imaturo, não diferindo da testemunha resistente, representada pelo genitor UENF1381. Já no estádio maduro cinco linhas foram superiores à testemunha resistente. Essas linhas recombinadas resistentes serão incluídas em testes competitivos de campo, e têm grande potencial de se tornarem as primeiras cultivares de pimenta/pimentão resistentes à antracnose no país, contribuindo para a redução do uso de agrotóxicos nas lavouras.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
Eixo Temático
  • 1.4 UENF - Ciências Agrárias (CCTA): 1. Produção Vegetal
Palavras-chave
Colletotrichum scovillei
Capsicum
melhoramento genético