A influência de Edmund Burke na construção do conservadorismo brasileiro

Vol 3, 2022 - 149816
Iniciação Científica-Oral
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Resumo

No Brasil oitocentista os conservadores enfrentavam alguns dilemas relativos ao atraso civilizacional que os impelia a argumentar de modo mais progressista do que o esperado em outros contextos. É possível perceber que o pensamento burkeano foi interpretado de formas distintas no contexto brasileiro. Lynch (2017) alerta que o conservadorismo burkeano não se difere significativamente do liberalismo. Essa imagem de distinção, de acordo com ele, foi intensificada por Russel Kirk. Com base nisso, Burke passou a ser compreendido como alguém muito mais conservador do que ele realmente foi. Lynch esclarece: “Em vez de inventar o conservadorismo, que já existia em sua forma tory, Burke criou, na verdade, uma versão conservadora do liberalismo whig, que tinha muito de circunstancial e de tática” (2017, p. 320 -321). O principal responsável pela difusão do pensamento de Burke no Brasil foi o Visconde de Cairu (1756 - 1835). Seu posicionamento não pode ser reduzido a simples defesa do status quo. Visconde vinculava sua defesa das instituições à necessidade de civilizar o país e abolir a escravidão.
A independência do Brasil dificultou a adequação da sociedade brasileira a um conservadorismo burkeano. Agora, o passado e a tradição se confundiam com o Antigo Regime colonial. No entanto, isso não significa que os argumentos de Burke não tenham sido invocados. Um número considerável de estadistas o fariam a fim de conter o espírito de inovação dos radicais e defender o gradualismo. O mais relevante deles foi o Bernardo Pereira de Vasconcelos (1795-1850), fundador do Partido Conservador. Nesse contexto recorria-se a autoridade de Burke a fim de conter as inovações político-institucionais inspiradas na Inglaterra e nos Estados Unidos, acusadas de serem incapazes de erradicar as guerras civis que assolavam o Brasil. O conservadorismo invocado por Vasconcelos, defendendo a criação de um Estado forte, vigoraria até a primeira metade do reinado de Dom Pedro II.
Após a década de 1860 difundiu-se a percepção de que, consolidado o Estado, surgira a necessidade de substituir o modelo autoritário por um liberal. O maior representante intelectual do movimento de renovação conservadora foi José de Alencar (1829-1877). Alencar (2009, p. 282) entendia a civilização como um processo de superação lenta e orgânica dos preconceitos do passado em direção a formas mais livres e justas de vida individual e coletiva.
A partir dessa pesquisa, foi possível perceber diversas interpretações do conservadorismo burkeano, e consequentemente, o desenvolvimento de vários conservadorismos, demonstrando mais uma vez, que esta ideologia política procura se adequar a realidade concreta da sociedade

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Instituições
  • 1 Universidade Federal Fluminense
  • 2 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
Eixo Temático
  • 1.2 UENF - Ciências Humanas (CCH): 1. Ciências Sociais e C. Sociais Aplicadas
Palavras-chave
Política
Conservadorismo
Brasil