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O presente trabalho foi produzido a partir dos estudos realizados pelo Núcleo de Ensino e Pesquisa sobre Espaço e Currículo de Geografia e Imagem e Multiculturalismo (NEPECGIM). Este desenvolvimento se deu, concomitantemente, através do Programa de Residência Pedagógica, no C. E. Manoel Pereira Gonçalves, em discussões sobre o papel da mulher negra na sociedade. Este trabalho tem como objetivo fazer uma breve análise das discussões sobre as mulheres negras e as opressões que as assolam simultaneamente, sendo elas: de raça, de gênero e de classe. A mulher negra, desde a escravatura, está inserida em um sistema de opressão sexo-raça. Esse sistema sexista e racista contribuiu para sujeitar a mulher negra a vários papéis: cozinheira, ama, costureira, lavadeira, criada e objeto sexual. A metodologia utilizada no trabalho, a pesquisa bibliográfica, traz para a discussão duas autoras, bell hooks e Carla Akotirene, que fornecem aporte teórico sobre os múltiplos papéis da mulher negra, o racismo, o sexismo e o conceito de interseccionalidade. A partir da análise do ponto de vista dessas duas autoras, é possível compreender que a natureza feminina vivida por mulheres negras foi odiada e temida por vários séculos, tendo em vista que eram constantemente desumanizadas e inferiorizadas por homens brancos, mulheres brancas e homens negros. Diante disso, a mulher negra assumiu um papel passivo e subserviente na sociedade, sendo subalternizadas nos movimentos sociais que participava. Em outras palavras, no feminismo encabeçado por mulheres brancas de classe média, a pauta da opressão sexo-raça não era validada, tampouco houvera protagonismo e/ou voz ativa no Movimento Negro. Durante os séculos, a discriminação e a falta de representatividade das mulheres negras dificultou o combate a essas diversas opressões. As vivências, experiências e reivindicações das mulheres negras foram ignoradas. Por isso, o conceito de interseccionalidade é fundamental na luta das mulheres negras, porque pressupõe uma instrumentalidade teórica-metodológica à inseparabilidade estrutural das opressões raciais, patriarcais e cisheteropatriarcais. A proposta é romper com as narrativas dominantes e desconstruir os mitos impostos à mulher negra. Considera-se que, apesar de terem sido desumanizadas por cinco séculos, as mulheres negras, na contemporaneidade, podem ser vistas, mesmo que em pequeno número, em arenas políticas, conquistando seu espaço e legitimando os seus saberes.
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