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Quando o documentário se volta para a prostituição, observa-se algumas práticas representativas prevalecentes. Não raramente, promove-se, através de diferentes dispositivos de linguagem, enquadramentos que reiteram vitimizações e que negligenciam as possibilidades de agência das trabalhadoras sexuais, supostamente incapazes de enfrentar suas próprias agruras. Objetiva-se investigar, assim, como documentários brasileiros sobre o tema dialogam com essa tendência figurativa. Discutiremos o matricial Mulheres da Boca (Cida Aidar e Inês Castilho, 1981), que explora as relações instituídas em um dos principais redutos do meretrício (e do cinema) de São Paulo, a Boca do Lixo. Com aportes da crítica de mídia e das teorias feministas, cotejaremos como a obra – recentemente resgatada nos nossos circuitos cinematográficos por causa de sua relevância histórica – se enlaça com regimes de representação que estigmatizam mulheridades divergentes.
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