INTRODUÇÃO: Historicamente, os povos indígenas do Brasil enfrentam obstáculos para usufruir da igualdade de direitos, entre eles a saúde. Neste contexto de saúde, o problema é ainda maior para as mulheres indígenas, que sofrem inúmeras discriminações, inerentes ao gênero e etnia, afetando a qualidade de vida, a exposição de riscos, a ocorrência de violências e taxas de mortalidade e morbidade. Dentre os diversos aspectos de saúde da mulher indígena, o planejamento familiar é particularmente um desafio, seja por razões culturais, vontades coletivas e individuais, hierarquias entre as consciências étnicas e de gênero, seja pela fragilidade da política de saúde indígena brasileira. OBJETIVOS: Conhecer os métodos contraceptivos utilizados por mulheres indígenas residentes no norte do estado do Piauí. MÉTODOS: Estudo observacional qualiquantitativo, realizado na comunidade indígena Nazaré, localizada no município de Lagoa de São Francisco - PI, em que determinação do tamanho amostral ocorreu pelo método de saturação de dados, considerando as mulheres da etnia Tabajara com idade acima dos 18 anos. As informações de saúde reprodutiva foram obtidas via aplicação de questionário face a face. Os dados foram organizados em tabulados em planilha eletrônica do Microsoft Office Excel e apresentados em tabelas e gráficos. Este estudo é parte de uma pesquisa matricial aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob o CAEE 52778821.5.0000.5214. RESULTADOS: A apreciação das respostas de 50 mulheres indígenas revelou que 56% (28) das entrevistadas não utilizavam quaisquer métodos contraceptivos. Dentre as indígenas que fazem uso de métodos contraceptivos (44%), observou-se que 50% (11) destas realizaram laqueadura, 45,5% (10) referem utilizar anticoncepcionais orais ou injetáveis e apenas 4,5% (1) afirmam fazer uso da camisinha feminina. Verificou-se, ainda, que 88?s mulheres indígenas entrevistadas possuíam filhos e que 25?stas tinham 5 ou mais filhos. CONCLUSÃO: Diante do exposto, percebe-se que as mulheres indígenas da Comunidade Nazaré ainda enfrentam dificuldades para realização de planejamento familiar e que quando tem acesso a contracepção optam por métodos cirúrgicos, como a laqueadura. Desse modo, faz-se necessário o incremento de medidas eficazes visando a promoção de saúde voltadas as comunidades indígenas, respeitando-se as necessidades dessa população historicamente negligenciada.