INTRODUÇÃO: Os traumatismos oculares são responsáveis por significativa procura aos serviços de oftalmologia, pois causam alteração ocular funcional substancial, podendo levar à cegueira com prejuízos pessoais, sociais e econômicos importantes. Traumas oculares variam desde pequenas lesões do tipo abrasões até perfurações extensas graves, necessitando de intervenções oftalmológicas urgentes, sendo responsáveis por 2,3 milhões de casos de deterioração visual bilateral. RELATO DE CASO: Paciente masculino, 49 anos, atendido inicialmente em Unidade de Pronto Atendimento no dia 16/02/2023 com queixa de dor suprapalpebral resultante de trauma penetrante em região periorbitária superior do olho esquerdo após acidente, enquanto cavalgava, por um objeto de madeira de, aproximadamente, quatro centímetros. Nesse primeiro atendimento, tentou-se a remoção do corpo estranho, sem sucesso, com posterior encaminhamento, no mesmo dia, a um atendimento de urgência em atenção especializada, no setor de Oftalmologia do Hospital de Urgência de Teresina (HUT). No momento do segundo atendimento, o paciente negava lacrimejamento e relatava leves alterações visuais e dores na região do trauma. Ao exame físico, a acuidade visual do olho esquerdo era de 20/25 sem correção, movimentos oculares extrínsecos sem alterações em ambos os olhos, pupilas isocóricas e fotorreagentes, fragmento de madeira cravado em região periorbitária superior, olho calmo, córnea transparente e câmara anterior formada. Diante do quadro, solicitou-se tomografias computadorizadas de crânio e de órbitas com concomitante internação para programação cirúrgica. Os exames solicitados apontaram a presença do corpo estranho no interior da cavidade orbitária, todavia, sem lesões nervosas ou musculares, sem penetração no globo ocular ou no encéfalo e sem fraturas das estruturas ósseas. Diante desse cenário elucidado pelas tomografias, o tratamento eleito foi a abordagem cirúrgica sob anestesia local para remoção do corpo estranho. Removeu-se, portanto, o fragmento de madeira sem resistência, fez-se exploração cirúrgica da ferida, irrigação com solução salina e sutura em ponto simples. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A complicação imediata mais comum em casos de traumas oculares penetrantes é a baixa acuidade visual. No entanto, o caso relatado mostra um paciente que cursou sem alterações oftalmológicas graves, relatando apenas dor suprapalpebral e sem prejuízos funcionais.