INTRODUÇÃO: As lesões autoprovocadas intencionalmente, também denominadas automutilação ou autolesão, podem se manifestar de diversas formas, incluindo cortes, queimaduras e outras formas de agressões físicas diretas ao próprio corpo. O crescimento de óbitos por lesões autoprovocada demandando ações concretas de prevenção em todos os níveis da administração pública, visto que afeta o curso de vida individual e social. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico dos óbitos por lesões autoprovocadas voluntariamente no estado do Piauí, no período de 2011 a 2021. MÉTODO: Foi realizado um estudo transversal de recorte retrospectivo, de caráter descritivo, com abordagem quantitativa e qualitativa. Os dados foram obtidos no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM/SUS) - DATASUS no estado do Piauí no período de 2011 a 2021. Foram analisadas as seguintes variáveis: número total de óbitos, sexo, ano do óbito, cor/raça, faixa etária e escolaridade. RESULTADO: Constatou-se que, no período de 2011 a 2021, ocorreu um total de 3211 óbitos por lesões autoprovocadas voluntariamente no estado do Piauí, com maioria no ano de 2021, com 378 óbitos registrados, e minoria no ano de 2013 com 230 registros. No que concerne à raça, a maior parte dos registros referem-se à raça parda com 2191 registros, enquanto a menor parte se deu com a etnia indígena com 1 caso registrado. Quanto ao gênero, 2513 foram do sexo masculino, 696 foram do sexo feminino e 2 registros não declararam o sexo. No que diz respeito à faixa-etária, a maior ocorrência aconteceu no intervalo de 20 a 29 anos, com 718 óbitos, enquanto a menor ocorrência aconteceu no intervalo de 10 a 14 anos, com 38 registros. Por fim, quanto a escolaridade, registrou-se maior ocorrência nos indivíduos que possuíam 1 a 3 anos de escolaridade, 851 casos, e menor ocorrência nos indivíduos com 12 anos de escolaridade, 275 casos registrados. CONCLUSÃO: Os resultados apontam que, no período de 2011 a 2021, houve crescimento do coeficiente de mortalidade por lesões autoprovocadas intencionalmente. Diversos fatores de risco atuam diretamente aumentando a vulnerabilidade a esse tipo de comportamento. Com isso, identificar fatores de risco individuais que estimulam o comportamento suicida é de suma relevância para explicar a opção do indivíduo, sendo de fundamental importância para a formulação de políticas públicas específicas que visem contribuir para a redução da tendência desse tipo de mortalidade.