VASCULITE CUTÂNEA EM PACIENTE COM GASTROENTERITE E COVID-19: UM RELATO DE CASO

Vol 2, 2022 - 157082
Relato de caso
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Resumo

INTRODUÇÃO: A vasculite de pequenos vasos compreende um grupo de doenças caracterizadas pela presença de púrpura palpável causada por danos inflamatórios agudos, recorrentes ou crônicos na vasculatura. Pode ser autolimitada, com acometimento de apenas um órgão, ou apresentar-se sistemicamente. O objetivo deste trabalho é apresentar um caso de vasculite cutânea secundária a quadro de infeccioso. RELATO DE CASO: Paciente do sexo feminino, parda, 20 anos, procedente de Jerumenha-Piauí, procurou o serviço de urgência com astenia intensa, náuseas e vômitos. Negava comorbidades, tabagismo, etilismo e internações anteriores. Recebeu o diagnóstico de gastroenterite e foram administradas apenas medicações sintomáticas. Após 1 semana, buscou atendimento com febre, taquipneia, taquicardia e letargia e realizou teste de antígeno para COVID-19 com resultado positivo. Evoluiu com choque séptico, sendo levada à UTI, mas sem a necessidade de procedimentos invasivos. Posteriormente, apresentou lesões purpuriformes em membros inferiores, tronco, face, palmas das mãos e plantas dos pés. Foram solicitados exames de imagem, bioquímica geral, dosagem de autoanticorpos e biópsia de pele. Radiografia de tórax e Ecocardiograma normais. Durante a internação, as lesões progrediram para exulceração e infecção bacteriana secundária, para a qual foram prescritos Oxacilina e Ceftriaxona. A paciente manteve febre diária e, por isso, foi encaminhada para investigação em serviço hospitalar terciário. Neste, indicou-se a troca do esquema antibiótico, fazendo uso de Meropenem e Vancomicina. Após o resultado da biópsia evidenciando alterações sugestivas de vasculite de pequenos vasos e com FAN, c-ANCA, p-ANCA não reagentes, sem consumo de complemento, foi afastado componente autoimune e a etiologia provável foi definida como vasculite secundária a quadro infeccioso. Paciente evoluiu com melhora do estado geral e das lesões cutâneas, recebendo alta para seguimento ambulatorial. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Neste caso, o reconhecimento das lesões e a correlação com a história clínica da paciente foram fundamentais para a terapêutica, tendo em vista a história de quadro infeccioso prévio. O diagnóstico diferencial com as demais doenças imunomediadas como o lúpus eritematoso e doenças infecciosas como a meningococcemia é imprescindível.

Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Piauí
Eixo Temático
  • GASTROENTEROLOGIA
Palavras-chave
vasculite
covid-19
gastroenterite