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INTRODUÇÃO: A Encefalite Límbica é uma condição do grupo das encefalites autoimunes, causada por reação antígeno-anticorpo contra o sistema límbico. Possui quadro clínico variado, incluindo sintomas cognitivos, crises epilépticas e pode surgir apenas com sintomas psiquiátricos isolados. Dada sua raridade, é vital destacar o presente caso. RELATO DE CASO: Mulher, 22 anos, solteira, desempregada, procedente de Teresina-PI. Encaminhada a psiquiatra por hipótese de esquizofrenia catatônica. Há 2 anos realizava tratamento para quadro de enxaqueca e há 1 mês exibiu súbita alteração comportamental, flexibilidade cerácea, negativismo, alucinações auditivas e visuais, agitação psicomotora, dislalia, confabulação, repetição de palavras, delírio paranóide, poriomania, apatia e inapetência, com piora há 1 semana. Ao exame físico, exibiu nistagmo, sinal glabelar persistente, ataxia, tremor assimétrico, reflexos dos membros direitos reduzidos, força diminuída em membro superior direito, rigidez articular em punho e cotovelo bilateralmente e agnosia somatossensorial. História familiar paterna de esquizofrenia. Em uso de Levotiroxina, devido a hipotireoidismo, e Topiramato 50mg para enxaqueca. A hipótese diagnóstica foi de encefalite autoimune, sendo prescrito ácido valpróico 500 mg e orientada a buscar serviço público para melhor investigação. Na internação, foi realizada RNM de Crânio que apresentava hipersinal em hipocampo esquerdo e atrofia de corpo caloso, sinal sugestivo de encefalite límbica autoimune. O FAN (Hep2) foi reagente (1/160), padrão citoplasmático pontilhado reticulado. EEG com ondas lentas em regiões temporais. LCR límpido, incolor, 300 células/mm3 (180 linfócitos), 35 proteínas, 10 hemácias, glicorraquia 48, culturas negativas. Foi diagnosticada encefalite límbica autoimune, sendo a principal hipótese a origem lúpica. Iniciou-se pulsoterapia com Metilprednisolona por 2 dias e planejava-se iniciar Imunoglobulina G 400 mg/kg/dia, mas a paciente evadiu e procurou outro serviço, onde foi prescrito Risperidona, com piora dos sintomas psicóticos. Não foi possível dar continuidade, pois foi perdido o contato com a paciente. CONCLUSÃO. Ressalta-se a importância da multidisciplinaridade das neurociências e a notoriedade do trabalho conjunto entre neurologistas e psiquiatras para uma abordagem eficiente, já que as patologias neurológicas podem repercutir com sintomas psiquiátricos e serem direcionados, primeiramente, à psiquiatria.
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