ESTUDO DAS CAUSAS, PERFIL EPIDEMIOLÓGICO, SOBREVIDA E PROGNÓSTICO MATERNOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA DO NORDESTE BRASILEIRO

Vol 2, 2022 - 157002
Tema livre oral
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Resumo

INTRODUÇÃO: Na última década, houve um aumento das emergências obstétricas em virtude das mudanças na demografia das mulheres que gestam, bem como das taxas de partos cesáreos. Logo, o conhecimento das causas de mortalidade materna que já estão bem determinadas pela literatura e das causas de internação de gestantes e puérperas em unidades de terapia intensiva (UTI) é indispensável para a diminuição da morbimortalidade materna. OBJETIVOS: Estudar as causas de internação, traçar o perfil epidemiológico e determinar a sobrevida e prognósticos maternos em UTI do Nordeste Brasileiro. MÉTODOS: Este estudo de delineamento transversal analítico, de maio de 2016 a maio de 2017, avaliou mulheres no ciclo gravídico-puerperal internadas em UTI obstétrica em Teresina, Piauí. Foi utilizado formulário de coleta de dados, elaborado a partir da tabela “Condições maternas para internação na UTI, sobrevida, critérios clínicos, laboratoriais e de manejo do Near Miss segundo a Organização Mundial da Saúde”. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Piauí. RESULTADOS: Das 11.466 ocorrências obstétricas atendidas no período estudado, 456 mulheres (3,98%) foram internadas em UTI. A idade média foi de 26,7 anos. Segundo os grupos de causas de internação, 366 (80,3%) pacientes foram por causas obstétricas diretas, 74 (16,2%) por causas obstétricas indiretas e 16 (3,5%) por causas não obstétricas. 159 (34,9%) atenderam a critérios do Near Miss com uma associação significativa entre a apresentação desses critérios e a taxa de mortalidade das mulheres (p<0,001; x²=30,974), de modo que os óbitos maternos, em sua totalidade, eram casos de Near Miss. A taxa de mortalidade foi de 3,5%. Foram verificadas correlações significativas e diretas entre a sobrevida e o número de critérios clínicos (p<0,001; rp=0,270), laboratoriais (p<0,001; rp=0,358) e de manejo (p<0,001; rp=0,465). Identificou-se que quanto maior é o número de critérios, maior é a duração da internação, além de pior prognóstico (com nível de significância de p< 0,001). CONCLUSÃO: As causas obstétricas diretas, representadas pelas síndromes hipertensivas da gestação, seguidas das complicações hemorrágicas na gestação e no pós parto e das infecções puerperais, são as principais indicações de admissão em UTI obstétrica. As mulheres admitidas em UTI por causas obstétricas indiretas e que preencheram critérios de Near Miss materno tiveram duração de internação maior e com pior prognóstico

Instituições
  • 1 Universidade Federal do Piauí
  • 2 Pontifícia Universidade Católica de Campinas
  • 3 Universidade Federal do PiauÍ
Eixo Temático
  • Ginecologia e Obstetrícia
Palavras-chave
Unidade terapia intensiva
morbimortalidade materna
epidemiologia.