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Resumo

INTRODUÇÃO: A paralisia periódica hipocalêmica tireotóxica (PPHT) é uma rara complicação neuromuscular do hipertireoidismo, que acomete majoritariamente homens jovens, sendo caracterizado pelo aparecimento súbito de fraqueza muscular severa, acompanhado de hipocalemia e hipertireoidismo. O início agudo da paraparesia se deve ao rápido influxo de potássio nas fibras musculares, secundário ao excesso de atividade da bomba Na/K/ATPase, possibilitando arritmias cardíacas. Os casos de origem hereditária devem-se à mutação do gene do canal iônico de cálcio ou sódio, e nos esporádicos, o canal de potássio parece ser mais acometido. Este relato de caso discute a fisiopatologia e tratamento da PPHT, e alerta à importância do diagnóstico precoce. RELATO DE CASO: M.L.S. 22 anos, taxista, sexo masculino, admitido no setor de urgência de um hospital da cidade Teresina-PI, em agosto de 2017, queixando de fraqueza muscular em membros inferiores (MMII) iniciada há 1 semana, com piora progressiva nas últimas 24 horas. Na admissão, o paciente relatou que, ao acordar, percebeu um importante déficit de força em MMII, impossibilitando-o de deambular, associado à dispneia, dor torácica e palpitações. Referiu também antecedente de hipertireoidismo, com abandono de tratamento há cerca de duas semanas. Na sala de urgência, evoluiu com síncope após punção venosa para coleta de exame, revertida após administração de atropina. Um exame de eletrocardiograma revelou ritmo sinusal com arritmia sinusal, períodos de bloqueio sinoatrial de 2º grau e intervalo QT prolongado (510ms) com supra ST precordiais direitas. Nos exames laboratoriais, apresentou supressão dos níveis séricos do hormônio tireoestimulante (TSH <0,01Um/L) e hipocalemia (K=2,1mmol/L). Iniciado Tapazol 30mg em dose única pela manhã e administração endovenosa de K em acesso venoso central. Paciente evoluiu com melhora da fraqueza muscular e cursou sem mais episódios de arritmia, recebendo alta hospitalar após 3 dias de internação. Seguiu em acompanhamento ambulatorial, onde se optou pela resolução definitiva do hipertireoidismo com radioiodoterapia. CONSIDERAÇÕES FINAIS: As diretrizes para cuidados incluem controle do K plasmático com monitorização seriada dos seus níveis, prevenção de grandes cargas de glicose e sal e uso cuidadoso de agentes bloqueadores neuromusculares, além da importância do exame neurológico periódico com atenção à força muscular nas pernas para detectar fraqueza de longa duração associada à miopati

Referências

LATORRE, Rosa; PURROY, Francisco. Hypokalemic periodic paralysis: a systematic review of published case reports. Revista de Neurologia, v. 71, n. 9, p. 317-325, 2020. LEWIS, Kristyn L. et al. Hypokalemic periodic paralysis-the importance of patient education. Rom J Intern Med, v. 57, n. 3, p. 263-265, 2019. NEKI, N. S. Hyperthyroid hypokalemic periodic paralysis. Pakistan journal of medical sciences, v. 32, n. 4, p. 1051, 2016 PHUYAL, Prabin; NAGALLI, Shivaraj. Hypokalemic periodic paralysis. StatPearls [Internet], 2021.

Instituições
  • 1 Centro Universitário UniFacid
Eixo Temático
  • ENDOCRINOLOGIA
Palavras-chave
Paralisia
Hipertireoidismo
Miopatia
Hipocalemia