ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DA MORTALIDADE POR SEPSE NO BRASIL DE ACORDO COM AS INTERNAÇÕES NA ÚLTIMA DÉCADA: TENDÊNCIAS E PERSPECTIVAS

vol 4,2024 - 196045
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Resumo

INTRODUÇÃO: A sepse é uma condição médica grave caracterizada por altos índices de mortalidade em ambientes hospitalares como Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Ela ocorre quando uma infecção desencadeia uma resposta inflamatória exagerada sistêmica, o que pode evoluir para um quadro de choque séptico e, por fim, de morte, fazendo-se necessário compreender a evolução das taxas de mortalidade para guiar futuras estratégias de saúde pública. OBJETIVOS: Avaliar estatisticamente tanto a evolução das taxas de mortalidade, quanto a correlação da mortalidade com o valor médio AIH (valor médio pago por internação hospitalar no SUS) referentes às internações por sepse nas regiões do Brasil no período de 2014 a 2024. METODOLOGIA: Estudo epidemiológico ecológico realizado pela coleta de dados do DATASUS. Com as variáveis analisadas - taxa de mortalidade e valor médio AIH - realizou-se teste de normalidade Shapiro-Wilk, correlação, regressão linear, teste kruskal-Wallis e comparação múltipla de Dunn, utilizando os softwares Microsoft Excel e GraphPad Prism. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A taxa de mortalidade média entre 2014 e 2024 no Brasil foi de 45,29‰, sendo o Sudeste (49,27‰) a região com a taxa mais elevada e o Norte (37,79‰) a com a menor taxa. Todas as regiões apresentam diferenças estatisticamente significativas entre suas taxas de mortalidade (P < 0,0001) de acordo com o teste Kruskal-Wallis, destacando-se os pares Norte e Sudeste e Sul e Sudeste, que apresentaram as maiores diferenças estatisticamente significativas entre média e desvio padrão da mortalidade (P < 0,0001) segundo a comparação múltipla de Dunn. O Nordeste (P = 0,0148) e o Sudeste (P = 0,0389) foram as únicas regiões que não apresentaram distribuição normal de acordo com o teste de Shapiro-Wilk, enquanto o Centro-Oeste é a única região que apresentou uma tendência de redução no período analisado, possuindo uma correlação estatisticamente significante com o tempo forte negativa (P = 0,0009; Y = -1,138*X + 2339; r = 0,8516) segundo a regressão linear e as correlações realizadas. Nenhuma região apresentou correlação estatisticamente significativa entre as variáveis valor médio AIH e mortalidade (P > 0,05), evidenciando que a sepse é uma condição médica que pode não ser muito afetada pelos gastos, ou até mesmo que eles não estão sendo devidamente alocados. CONCLUSÃO: A sepse possui uma taxa de mortalidade muito elevada no Brasil e, mesmo após uma década se passar, não houve reduções significativas desses índices no Brasil como um todo, sendo possível observar apenas no Centro-Oeste uma tendência de redução estatisticamente significativa. Ademais, observou-se que não há correlação estatisticamente significativa entre o valor médio gasto no tratamento da sepse com a sua mortalidade, fator que pode indicar que, independente do valor gasto, o tratamento não estar evoluindo ao longo dos anos ou até mesmo que os gastos não estão sendo alocados de maneira eficiente para melhorar o tratamento do paciente. É evidente, portanto, a necessidade de mais pesquisas sobre a temática, de modo a tentar explicar a evolução das taxas mostradas no presente estudo e guiar futuras estratégias de saúde pública.

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Eixo Temático
  • EPIDEMIOLOGIA