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INTRODUÇÃO: A tuberculose, causada por bacilos do complexo Mycobacterium tuberculosis, afeta principalmente as vias aéreas inferiores e se transmite por inalação de aerossois infectados. Fatores como alcoolismo, tabagismo, má higiene, dieta inadequada e baixa imunidade aumentam o risco de infecção. A população em situação de rua (PSR) é especialmente vulnerável, mas há poucos estudos sobre seu perfil clínico-epidemiológico, justificando este trabalho para melhorar o conhecimento e orientar medidas de saúde primária para esse grupo. OBJETIVOS: Analisar o perfil epidemiológico da tuberculose na população em situação de rua no Piauí, comparando-o com os perfis do Nordeste e do Brasil durante os anos de 2013 a 2022. MÉTODOS: Realizou-se um estudo ecológico, mediante acesso ao sistema de Informação de Agravos de Notificação - SINAN. Foram coletados dados da população em situação de rua do estado do Piauí, da região Nordeste e do Brasil infectada pela tuberculose nos anos de 2013 a 2022, utilizando-se as variáveis faixa etária, sexo, cor, forma de apresentação e situação de encerramento, além do cálculo das taxas de cura, letalidade e coinfecção por HIV no período. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constatou-se que o sexo masculino obteve mais casos nas três regiões, com 70% dos casos no Piauí, 77% no Nordeste e 81% no Brasil. A população de cor parda foi a mais afetada com 68%, 69% e 45%, respectivamente, no Piauí, Nordeste e Brasil. Em relação à faixa etária, nas três regiões a idade de 29 a 39 anos obteve mais casos, com uma média de 51% dos casos. A forma clínica mais prevalente foi a pulmonar, com uma média de 92% dos casos entre as regiões. Em relação a média de casos novos com HIV, observou-se que foi significativamente maior em PSR nas três regiões, sendo de 21,29 contra 7,32 na população geral no Piauí, 24,5 em PSR e 8,93 em não PSR no Nordeste e 24,9 em PSR contra 10,9 em não PSR no Brasil. Em relação às taxas de cura, a média no período observado foi de 25 para a PSR contra uma média de 93 casos de cura na população geral no Piauí, 30 e 93, respectivamente em PSR e não PSR no Nordeste e 34 e 95 em PSR e não PSR no Brasil, respectivamente. A média da taxa de letalidade foi significativamente maior em PSR, com uma taxa média de 7,48 óbitos em PSR contra 7 óbitos em não PSR no Piauí, 7,7 e 6 no Nordeste, respectivamente PSR e não PSR e no Brasil, foi de 7 contra uma taxa média de 4 óbitos, respectivamente em PSR e não PSR. CONCLUSÃO: Conclui-se assim que população em situação de rua (PSR) é altamente vulnerável à tuberculose, apresentando maiores índices de coinfecção por HIV e taxas de letalidade elevadas junto a menos taxas de cura. Esses dados indicam a necessidade de reforçar estratégias de saúde pública voltadas para essa população, visando melhorar o diagnóstico e tratamento da tuberculose e mais estudos sobre a mesma.
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