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Resumo

INTRODUÇÃO: o Brasil é um dos países com maior incidência de câncer de pênis no mundo, sendo cinco vezes mais prevalente nas regiões Norte e Nordeste, onde se acredita ocorrer a maior parte das amputações penianas por câncer (APC), pois esse procedimento possui uma relação com condições socioeconômicas e piores prognósticos. OBJETIVO: conhecer aspectos epidemiológicos hospitalares sobre a realização de APC no Brasil. MÉTODOS: estudo ecológico tipo série temporal e análise espacial de APC no Brasil de 2008 a 2023. Indicadores incluídos foram internações, permanência hospitalar média (dias de internação/AIH aprovadas), valor médio/AIH, taxa de mortalidade hospitalar (óbito/AIH paga) e variação percentual 2008-2023 (vp08-23). SIH/SUS foi a fonte dos dados com acesso em 02/06/2024. Análises estatísticas foram realizadas no software Minitab v. 21.4. RESULTADOS E DISCUSSSÃO: houve 9.141 APC com média = 571,3±98,11/ano e vp08-23 = +50%. Setenta e seis por cento dos casos foram eletivos, com média = 435,5±68/ano e vp08-23 = +53%, enquanto os de urgência responderam por 24% dos casos, com média = 136±32,7/ano e vp08-23 = +40%. A permanência média na contagem geral, nas eletivas e nas urgências foram 4,06±0,61 com vp08-23 = -25%, 3,41±0,61 com vp08-23 = -31?,19±0,91 com vp08-23 = -2%, respectivamente. A taxa de mortalidade hospitalar na contagem geral foi 4,4‰±2,4‰ com vp08-23 = -11%. Nos procedimentos eletivos, essa taxa foi 2,8‰±1,7‰ com vp08-23 = +28%, enquanto na urgência a mortalidade hospitalar foi 9,5‰±6,4‰ com vp08-23 = -28%. Desde 2019, prevê-se decréscimo anual na realização desse procedimento no Brasil por meio da equação ‘y= -0,3143x3 + 6,046x2 – 5,3x + 414,3’, onde y = {internações}, x = {ano1, ..., ano16}, R2 = 87,12% e valor-p<0,0001. A distribuição espacial de APC na série revelou a seguinte ordem: Sudeste (40%), Nordeste (29%), Sul (17%), Norte (9%) e Centro-oeste (6%). No Sudeste e no Nordeste, as curvas são crescentes com previsão de redução a partir de 2019 (valor-p<0,001), enquanto, no Sul, é ascendente com previsão de aumento (valor-p<0,0001). Sabe-se que determinantes socioeconômicos como a pobreza, culturais como machismo, comportamentais como hábitos sexuais, políticos como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem e as inovações em ciência e tecnologia condicionam esses indicadores de saúde ao padrão sanitário apresentado acima. A estigmatização espacial da pobreza na determinação de realização de APC não foi evidenciada nesta série. Apesar de aumento relativo de casos, prevê-se redução nos casos de APC, bem como melhora nos desfechos pós-operatórios. Isto pode ser explicado pelas inovações em ciência e tecnologia. A análise espacial nesta série reforça assimetria entre estigma socioeconômico e realização de APC. CONCLUSÃO: A estigmatização regional relacionada à pobreza não pode ser o único determinante para a realização de APC. Políticas de saúde e aspectos comportamentais podem explicar sua redução nesta série. São dirigidas preocupações para as regiões Sudeste, Nordeste e Sul devido às suas maiores taxas de APC. São necessários mais estudos para esclarecer as razões da mudança de paradigma espacial na distribuição das APC no Brasil.

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