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INTRODUÇÃO: A Doença de Chagas (DC), causada pelo Trypanosoma cruzi, é transmitida por triatomíneos e outras vias. Na fase aguda, o parasita é detectável no sangue e, depois de dois meses, apenas por exames específicos. A fase crônica tem formas indeterminada, cardíaca e digestiva. A forma indeterminada pode durar 10 a 15 anos sem sintomas. A forma cardíaca, com alta mortalidade, enquanto a digestiva provoca megaesôfago e megacólon. Fatores ambientais e sociais, como urbanização e pobreza, influenciam a DC. Reconhecida pela OMS como uma doença tropical negligenciada, a DC configura um problema para a América Latina, com alcance global. Esta pesquisa busca identificar grupos vulneráveis à DC para enfrentar esse desafio na saúde pública brasileira. OBJETIVO: Avaliar o perfil epidemiológico dos óbitos por DC no estado do Piauí ao longo de uma década. MÉTODOS: Tratou-se de um estudo descritivo, quantitativo, com dados secundários do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do SUS relativos aos óbitos por doença de chagas (CID-B57), residentes no estado do Piauí, de 2013 a 2022. As variáveis selecionadas foram: sexo, raça, faixa etária, escolaridade, local de ocorrência e ano do óbito. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Foram registrados 582 óbitos durante esse período. Houve uma relativa constância do número de mortes, média de 58 mortes por ano, com desvio padrão 9,0, sendo 55,6% dos óbitos em ambiente hospitalar e 39,3% em domicílio. Em relação às variáveis socioeconômicas, os homens (58,2%), a cor parda (66,8%) a faixa etária acima de 50 anos (93,6%) e indivíduos com baixa ou nenhuma escolaridade (71,6%) foram as categorias mais acometidas. Esses dados refletem o padrão de morbimortalidade por DC, que é influenciado por diversos fatores, como a área endêmica, a intensidade da infecção, a linhagem do parasito e a condição de imunidade dos pacientes. Esses achados confirmam estudos anteriores que mostram maior mortalidade por DC em indivíduos mais velhos, especialmente entre 60 e 79 anos, e mais frequente em homens, com maior proporção entre os mais jovens. Estudos apontam que a diferença da morte entre homens e mulheres com DC diminui com a idade. As diferenças biológicas e sociais explicam parcialmente essas disparidades. A forma crônica da DC, especialmente a cardíaca, é altamente letal devido a complicações como insuficiência cardíaca e morte súbita. As variações regionais na morbimortalidade por DC são complexas e influenciadas por características individuais e variações do parasita. Estratégias de prevenção e tratamento devem considerar esses fatores biológicos e sociais para enfrentar a doença em populações vulneráveis. CONCLUSÃO: A Doença de Chagas (DC) atinge especialmente homens, pessoas de cor parda, indivíduos acima de 50 anos e com baixa escolaridade. Disparidades regionais e demográficas exigem estratégias de prevenção e tratamento adaptadas. O uso de bases de dados secundários, como o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), apresenta problemas de cobertura, causando subnotificações e estimativas imprecisas de mortalidade por DC. Assim a qualidade do preenchimento das declarações de óbito é essencial para garantir informações precisa.
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