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RESUMO
Introdução: A Hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada pelo Mycobacterium leprae que se manifesta de forma lenta, iniciando com lesões de pele que apresentam perda de sensibilidade, sem evidência de lesão nervosa. Quando não tratada, evolui para lesões nos nervos periféricos. Sua transmissão é através de contato íntimo e contínuo com o paciente não tratado. É de notificação compulsória, endêmica no Brasil e prevalente na região amazônica, sendo ainda um problema de saúde pública, apresentando relevância clínica e estatística em crianças e adolescentes. Objetivo: Ressaltar a importância dos aspectos relativos ao diagnóstico precoce da hanseníase e seu manejo clínico. Metodologia: As informações foram obtidas através da coleta e análise de dados contidos em prontuário médico, coligado ao exame do sujeito da pesquisa, após consentimento do mesmo, realizado em uma Unidade de Saúde de Família localizada na região Norte da cidade de Cacoal-RO, no período de maio de 2017, em um momento único no serviço de saúde da Unidade Básica Luiz Moreira de Freitas (LMF). Resultados: Relato de caso: F.C.G, masculino, 19 anos, morador de Cacoal-RO, refere que há três meses apresentou lesões do tipo nódulos na pele, não pruriginosas, não descamativa, sem presença de sangramentos ou exsudatos, em antebraços, mãos e pés. Relata já ter realizado consultas anteriores e sido diagnosticado como lesões por micose ou alergia, sendo prescrito tratamento com antifúngico tópico e sistêmico. Devido a não melhora dos sintomas, procurou outra unidade de saúde. Ao exame físico, apresentava lesões elementares, do tipo pápulas com bordas irregulares, circunscritas, eritematosas, hipercrômicas, de cor marrom-acastanhadas e tamanhos variáveis de 0,5 cm a 1 cm. Após a avaliação médica, foi solicitado raspado dérmico, resultando em Índice baciloscópico 3,5, sendo, então, diagnosticado com Hanseníase. Iniciou o tratamento na data 09/01/2017 com uso de PQT/MB. Após 4 meses, o paciente apresenta reação hansênica do tipo 1, em uso de prednisona 20mg/dia. Está aguardando a avaliação do perito do INSS, pois não apresenta capacidade laboral no momento por queixas de muita fraqueza e dor muscular. A mãe do paciente também se encontra em tratamento com uso de PQT/PB. Conclusão: É importante reforçar que, segundo a literatura mundial, o médico de família e comunidade é resolutivo em 80 a 90% das questões que demandam assistência à saúde. Sendo assim, reconhecer patologias endêmicas de sua área de abrangência é imprescindível para uma boa atuação e funcionamento da atenção básica de saúde no Brasil. Através do relato, é possível observar que mesmo Rondônia sendo uma região hiperendêmica para hanseníase, muitas pessoas, e até mesmo profissionais da saúde, desconhecem tal patologia, visto que o paciente obteve diagnósticos equivocados, o que leva a um pior prognóstico da doença, com maior morbidade, e possivelmente maior a disseminação devido a demora da confirmação do diagnóstico.