Experiência docente no acompanhamento de prática acadêmica em um Centro de Convivência e Cultura

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Detalhes
  • Tipo de apresentação: Resumo
  • Eixo temático: 2) Educação, Popularização e Divulgação Científica sobre Economia Solidária e os Centros de Convivência.
  • Palavras chaves: Centros de Convivência; ; Saúde Mental; ; Autonomia.;
  • 1 UFMT

Experiência docente no acompanhamento de prática acadêmica em um Centro de Convivência e Cultura

LARISSA ALMEIDA REZIO

UFMT

Resumo

Introdução: Entre os princípios que orientam a Atenção Psicossocial, a reinserção social e o fortalecimento dos vínculos comunitários se destacam como essenciais para a promoção da autonomia e cuidado em liberdade. Nesse contexto, os Centros de Convivência e Cultura são dispositivos fundamentais da Rede de Atenção Psicossocial, por propiciarem espaços de sociabilidade e convivência, por possibilitarem diversas e diferentes formas de cultura, educação, integração, e (re)inserção social, com práticas que rompem com a lógica manicomial e medicalizante do cuidado. Objetivo: Relatar a experiência docente no acompanhamento de atividade prática acadêmica realizada em um Centro de Convivência e Cultura localizado em uma capital do Sudeste brasileiro. Método: Trata-se de um relato de experiência vinculado à atuação como professora visitante na Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais, entre maio e junho de 2024. Dentre as atividades previstas no plano de trabalho, esteve o acompanhamento de práticas curriculares do curso de Enfermagem, as quais incluíram a vivência em serviços da Rede de Atenção Psicossocial, como os Centros de Convivência e Cultura. Resultados e Discussão: Foi possível observar e vivenciar diversas ações que favorecem a sociabilidade, autonomia e reinserção social, especialmente por meio de práticas culturais como oficinas de artesanato, escrita, leitura e produção coletiva de textos. As atividades estavam articuladas também à mobilização do 18 de maio – Dia Nacional da Luta Antimanicomial, com destaque para a elaboração de cartazes, alegorias e organização de desfile público. Estes espaços mostraram-se potentes no sentido de transformar o olhar sobre a loucura, deslocando-o da lógica da exclusão e medicalização para a da escuta, da convivência e da produção de sentido coletivo. O protagonismo dos usuários nas atividades culturais — como a construção de cartazes, alegorias e a participação ativa no desfile — revelou não apenas seu potencial criativo, mas também sua capacidade de se posicionar politicamente como sujeitos de direitos. As ações demonstraram forte articulação intersetorial entre os campos da saúde, assistência social, cultura e educação. Por meio da arte, os participantes puderam expressar sentimentos, vivências e memórias, ampliando formas de comunicação e pertencimento. Considerações finais: A experiência evidenciou o papel estratégico dos Centros de Convivência na consolidação de uma atenção psicossocial antimanicomial, intersetorial, culturalmente sensível e comprometida com a dignidade e direitos humanos. Além disso, reforçou a importância da formação acadêmica em cenários ampliados de cuidado, capazes de inspirar uma prática de enfermagem crítica, ética e comprometida com a transformação social.

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