Traduzir o ritmo proustiano
Segundo Henri Meschonnic (1982), o ritmo de uma obra literária é o aspecto responsável por ligar todas as partes do discurso e constituir uma unidade coerente e harmoniosa. Ao contrário da acepção dicotômica tradicional de ritmo, que, sob a égide do signo, distingue som e sentido, limitando seu alcance ao campo sonoro, Meschonnic define o ritmo na linguagem como a organização do sentido no discurso. Por conseguinte, sendo o sentido a atividade do sujeito na enunciação, o ritmo passa a ser a organização do sujeito no discurso, de modo que é possível identificar o sujeito no discurso por via do ritmo. Para fazê-lo, o autor propõe três categorias analíticas, a saber, o ritmo linguístico, o ritmo retórico e o ritmo poético. Destarte, este trabalho pretende analisar, a partir da teoria desenvolvida por Meschonnic, de que forma os escritores-tradutores brasileiros responsáveis pela primeira tradução integral da obra "À la Recherche du temps perdu", de Marcel Proust, Mario Quintana, Manuel Bandeira, Lourdes Sousa de Alencar, Carlos Drummond de Andrade e Lúcia Miguel Pereira, lidaram com tal aspecto da obra em sua prática tradutória.