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Tradução literária e subjetividade tradutória

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A prática da tradução literária exige do tradutor uma série de conhecimentos específicos que transcendem questões puramente linguísticas, como pretendiam as teorias linguísticas, que viam no bilinguismo a única exigência para a realização de uma tradução de qualidade (cf. VINAY; DARBELNET, 1958; MOUNIN, 2008; CATFORD, 1980 etc.), o que implica na identificação do tradutor como um mero transportador de um sentido único e absoluto do texto-fonte para a língua-alvo, além de prever a neutralidade e o apagamento deste agente. Todavia, a evolução dos Estudos da Tradução apontou a insustentabilidade de tais premissas partindo do pressuposto de que o tradutor é um ser humano cujas escolhas carregam, inevitavelmente, as marcas de sua história, de seu contexto, de sua formação pessoal e profissional, de modo que é impossível desconsiderar sua participação ativa na construção do sentido do texto traduzido. Nesse sentido, diversos críticos e teóricos contemporâneos, tais como Arrojo, Derrida, Aubert, Carvalhal, Venuti, entre outros, censuram o princípio da neutralidade e da invisibilidade do tradutor, promulgado pela perspectiva tradicional dos Estudos da Tradução, defendendo a prática tradutória enquanto ato criativo e subjetivo, no qual é possível identificar seus produtores não somente através de marcas explícitas e manipulações evidentes deixadas no texto, mas também no "silêncio", afinal, uma tradução fluente não indica a invisibilidade do tradutor, e sim a presença deste manipulando o texto de modo a responder às exigências do mercado, por exemplo. Tendo em vista tais fatos, este simpósio pretende proporcionar um espaço de discussão e reflexão sobre a subjetividade tradutória na prática da tradução literária, aceitando contribuições de trabalhos de análise crítica de literatura traduzida, que investiguem a identificação da voz do tradutor no texto de chegada, sob um viés interdisciplinar, uma vez que a tradução envolve, necessariamente, questões culturais, políticas, literárias, históricas, de poder, de gênero etc. Destarte, considera-se que a escolha deste eixo temático permitirá uma reflexão ampla, com o aporte de diferentes posicionamentos teóricos sobre o tema.