Representações, identidades e subjetividades de gênero e suas interseccionalidades nas artes visuais e literárias
Inspirado na ideia de Griselda Pollock (1999) de que para que se transforme tanto a ordem do discurso quanto as hierarquias de gênero, raça e classe na sociedade seja preciso tornar o trabalho cultural dos grupos sociais minoritários uma presença efetiva nos discursos culturais é que este simpósio se propõe como um espaço para a divulgação, reflexão e discussão de trabalhos de pesquisa que tragam como objetivo principal a análise de representações de construções de identidades e relações de gênero, considerando as interseccionalidades do gênero com outras categorias, tais como raça e/ou classe na produção cultural das artes visuais como a fotografia, o cinema e/ou as artes plásticas bem como a literatura. A compreensão do conceito de representação relaciona-se também com os debates sobre a ideologia (Hall, 2006; Pollock, 2003; Williams, 1977), sendo a ideologia compreendida como um ordenamento sistemático de uma hierarquia de significados e uma localização de posições para a assimilação desses significados e referindo-se, portanto, a “práticas materiais incorporadas em instituições sociais concretas pelas quais os sistemas sociais, seus conflitos e contradições são negociados em termos de lutas dentro de formações sociais entre dominantes e dominados, exploradores e explorados.” (POLLOCK, 2003, p.8). É sabido que os meios pelos quais os sujeitos dão sentido ao processo social no qual todos estão presos e onde, de fato, são produzidos estão nas práticas culturais ideológicas. Mas, como lembra Pollock, estas são espaços de conflitos e luta uma vez que “o caráter dos conhecimentos produzidos é ideológico, parcial, condicionado pelo lugar social e pelo poder” (POLLOCK, 2003, p.8). Assim, para compreendermos os significados e os efeitos sociais de práticas artísticas específicas, precisamos, primeiramente, localizar tais práticas como parte das lutas sociais entre classes, raças, gêneros articulando-as com os locais de representação. Ao reconhecermos o quanto se naturaliza a respeito do que se considera arte e literatura, e que a arte, de um modo geral, e a literatura são lugares privilegiados onde se operam processos de subjetivação e socialização, possibilitando-nos a compreensão de modelos sociais e individuais de identidade, é preocupante que falte ou que seja extremamente limitado o contato da sociedade com as heranças simbólicas e experiências identificadoras desses novos sujeitos oferecidas pela sua produção cultural. Desse modo, os trabalhos de autoria de mulheres e das chamadas minorias que procurem situar sócio-historicamente esta produção artística, fugindo assim da ideia de excepcionalidade e/ou genialidade da parte dessxs autorxs, e aqueles embasados, principalmente, nas teorias críticas feministas, dos estudos culturais, pós-coloniais, descoloniais, teorias queer e/ou pós-estruturalistas que procurem destacar as relações entre formas de representação e processos de subjetivação terão preferência na seleção para este simpósio.