Quem designa o que está escrito?
Este artigo filia-se ao projeto de pesquisa “Representações da crise: intercecções de fontes literárias” desenvolvido na UEMG-Carangola com o apoio do PAPq. Na perspectiva do referido, objetiva-se, nesse trabalho, analisar as relações existentes entre a escrita, oralidade, identidade cultural e a função social do escritor, tendo como suporte à abordagem de alguns aspectos presentes na trama fílmica “Narradores de Javé”, dirigida por Eliane Caffé (2003). Busca-se, com a análise da obra em questão, um esclarecimento a respeito do valor do oral e o valor do escrito, e como ambos influenciam a vida pessoal, social e cultural do homem. Não é novidade estudos que desejam analisar os laços que unem arte e vida, apesar disso, faz-se urgente uma nova abordagem, um novo entendimento dessas relações no contexto de modernidade em que se vive hoje. Nessa perspectiva, temos o literário como produtor de crises, isto é, o literário como discurso social e construtor de humanidades colocando em cheque o socialmente posto e imposto criando assim novas configurações, isto é, realidades pressupostas na vida do homem moderno mergulhado em sistemas produtores de liquefações. Utilizou-se como referencias os estudos de Bakhtin (2003), Candido (2006) e Todorov (2009) entre outros.