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Pragmática e não cooperação

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Grice (1989) elege a cooperatividade como pilar fundamental de sua lógica da conversação. É partindo da premissa de que os falantes cooperam que suas máximas são derivadas e o maquinário responsável pela geração de implicaturas é implementado. Contudo, como aponta Levinson (1997), nem todos os tipos de atividade comunicativa são profundamente cooperativos (e.g. um interrogatório). Há, é certo, uma quantidade não trivial de cooperação envolvida em qualquer troca comunicativa, mas há certamente uma diferença igualmente não trivial de grau em que os falantes estarão dispostos a cooperar em diferentes situações. De acordo com teóricos de modelos concorrentes – notadamente modelos construídos a partir da Teoria dos Jogos (e.g. Asher & Lascarides, 2013; Franke Jäger & van Rooij, 2009) e da Teoria da Relevância (Carston, 1998) –, a ausência de cooperatividade plena implicaria em uma espécie de colapso do sistema griceano. O presente trabalho pretende apresentar um modelo griceano para o tratamento de situações não cooperativas (ou parcialmente cooperativas), argumentando em favor de uma abordagem que lance mão da noção de uma interpretação contrafactual e que não apenas é capaz de dar conta de tais casos, mas também o faz de modo bastante direto e econômico.