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Metalinguagem como tecnologia cognitiva

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Em artigo publicado em 2002, “Language as a cognitive technology”, Marcelo Dascal defende que alguns recursos oferecidos pelas línguas naturais podem ser convertidos em tecnologias cognitivas. Alguns desses recursos são os operadores de citação, as expressões indicativas de atitude proposicional e força ilocucionária e a possibilidade de controlar a indeterminação das expressões. Todos eles podem adquirir uma função metalinguística, seja por mostrarem camadas distintas de conteúdo em um mesmo enunciado, o que, por sua vez, tem uma contraparte metacognitiva; seja por permitirem a definição de determinados conceitos por meio de uma escala de determinação. Tomando como base essa perspectiva, nosso trabalho será composto de duas partes: 1) o confronto da defesa de Dascal com a análise de Márcia Romero sobre os conhecimentos metalinguístico e epilinguístico; 2) análise, por meio de estudo de caso, de como conhecimentos metalinguísticos são mobilizados em textos escritos de cientistas para cientista e textos escritos de cientistas para o público geral. Trabalhamos com a hipótese de que o controle da indeterminação é de fundamental importância na construção desses textos e para os efeitos cognitivos a que se destinam.