LITERATURA, GÊNERO, SEXUALIDADE EM DEBATE
O simpósio “Literatura, gênero, sexualidade em debate” que ora se propõe apresenta como objetivo fomentar o debate sobre identidades de gênero e suas concepções, suas especificidades, seus desdobramentos, sua normatividade, refletindo sobre os questionamentos impostos pela constatação de uma multiplicidade de identidades. A proposta deste simpósio partiu de indagações sobre a produção literária das minorias que representam transgressão de gênero e de sexualidade: o que determinadas(os) autoras(es) escrevem sobre sua condição de minoria que, por vezes, é subalterna e que as(os) faz excluídas(os)? Qual é o espaço das minorias na literatura enquanto produção? E ainda qual o espaço dessas minorias no âmbito acadêmico, como objeto de investigação? Nos últimos anos, muito se discute sobre diversidade cultural, de gênero e de sexualidade nos diferentes campos do conhecimento. Conceitos sedimentados com base num patriarcalismo tradicional perderam seu espaço hegemônico frente a intermináveis lutas das minorias. Falar de gênero é indubitavelmente falar de lutas reivindicatórias que começaram a ganhar forma desde o século XIX, pelos movimentos feministas, quando as mulheres se viram excluídas das promessas de liberdade, igualdade universal e direitos políticos estendidos a todos na Revolução Francesa (Scott, 2001). Para Scott (2001), o protesto feminista contra a exclusão política da mulher visava eliminar as diferenças sexuais na política, entretanto, ao defender as mulheres na tentativa de eliminar a “diferença sexual”, o feminismo, em nome dessas mulheres, alimentava, ainda mais, essa diferença. “Esse paradoxo – a necessidade de, a um só tempo, aceitar e recusar a “diferença sexual” – permeou o feminismo como movimento político por toda sua longa história” (SCOTT, 2002, p.27). A exclusão das mulheres da vida política, intelectual e cultural levou-as, gradativamente, a posicionar-se contra as práticas machistas assumindo uma postura cada vez mais clara e responsável dentro da perspectiva da política feminista pela conquista dos direitos civis. Essa postura assumida pelas mulheres representou um significativo avanço, sobretudo ao que concerne à literatura de autoria feminina tendo como resultado, nas décadas mais recentes, a expansão do número de escritoras que colocaram a lume seu mundo, seus problemas, o universo que as cercam. Tal postura precursora abre caminho para reconfigurações de autoria de gênero no intuito de dar voz a novas configurações de sujeito, sujeitos e corpos não-hegemônicos, que transitam entre contextos possíveis de negociações identitárias. A partir destes pressupostos, para enriquecer o debate aqui proposto, o presente simpósio acolherá trabalhos de pesquisadores resultantes de pesquisas atinentes ao gênero e as suas mais diversas configurações, relacionadas com a produção literária das décadas mais recentes.