JOSÉ SARAMAGO E A CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA
Os discursos sobre a História proferidos por José Saramago, tanto pela sua figura empírica como implícita, se desenvolvem por meio da atuação do indivíduo para a construção do seu tempo. O coletivo humano, somado às duras críticas ao modo tradicional de registro historiográfico, é o que caracterizam a obra desse autor português. Sendo assim, esta comunicação pretende trabalhar com alguns romances escritos por Saramago que apresentam a História em seus cenários. A partir disso, intenciona-se discorrer sobre o modo como ela aparece em cada uma dessas narrativas, ou o que dela se fala, independentemente se constitui fator determinante para o desenvolvimento do enredo. A tentativa de explorar o universo saramaguiano partirá de um panorama tendo em vista a perspectiva histórica nos seguintes romances: A jangada de pedra (1980), Memorial do convento (1988), Manual de pintura e caligrafia (1992), A bagagem do viajante (1996), O evangelho segundo Jesus Cristo (2005), A viagem do elefante (2008), Caim (2009), História do cerco de Lisboa (2010) e O homem duplicado (2013). Para tanto, faremos uso, basicamente, dos estudos de Gerson Luiz Roani, Peter Burke, Jim Sharpe e Marilene Weinhardt.