História das mulheres: enredos e percepções
No século XIX, a mulher seria, ideologicamente, um templo de virtude, a ponto de jornais colocarem em seus editoriais normas que firmavam e impunham medidas de comportamento. Poucas mulheres se aventuraram a conhecer um mundo diferente daquele engendrado pela sociedade patriarcal, aportada no conservadorismo da igreja. Então, desde épocas oitocentistas, sabe-se que as mulheres trilham um caminho de batalhas para estabelecer-se socialmente dentro de parâmetros que não sejam aqueles ditados pelo patriarcado, onde o homem comandava a vida conjugal, os bens, os casamentos das filhas, enquanto, para a mulher, não restava outra função que não fosse agradar o marido (Hübner, 2013). Na história da literatura e do cinema não é diferente, pois autoras e personagens femininas fazem parte do reforço de representações e a mulher passa de objeto a sujeito. Ao representar sua própria subjetividade, emerge a capacidade de agir e pensar por si mesma, resistindo às forças ideológicas e políticas. Essas representações literárias e cinematográficas tornam-se, então, vigamento para trazer à luz a história das mulheres. Isso acontece de forma que, em alguns enredos, é possível extrair pontos discursivos que atrelam os perfis femininos ao contexto sócio/histórico, possibilitando diferentes abordagens: trabalho, sexualidade, maternidade, identidade e subjetividade. Esses textos não são poucos. A representação da mulher, agenciada política ou filosoficamente, tomou outros rumos e adquiriu nuance de protesto, de questionamentos e provocação. Por isso, este simpósio acolherá pesquisas sobre enredos em que o contexto histórico seja bem demarcado e que façam articulações com a pós-modernidade. Que discutam a complexidade da formação da sociedade, das políticas sociais e culturais, nas mais diversas relações com a identidade feminina. O objetivo geral desse simpósio é revisar essas marcas históricas a fim de esclarecer, discutir e articular a influência direta dessa historicidade no perfil das personagens – sejam elas centrais ou marginais; e trazer à baila a teoria contemporânea sobre identidade feminina.