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FAHRENHEIT 451: UMA RELAÇÃO ENTRE PODER, LEITURA E IDENTIDADE

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A história da destruição dos livros é tema recorrente em análises literárias, historiográficas e ficcionais. As discussões sobre o tema perduram, pois sempre estiveram ligadas à representação de regimes totalitários marcados pela censura e pela segregação do saber. Fahrenheit 451 foi escrito pelo norte-americano Ray Bradbury e lançado no ano de 1950, nos Estados Unidos, refletindo em termos ficcionais a realidade de uma sociedade em guerra. Intitulado primeiramente como The Fire Man (O homem fogo, em tradução livre), o livro apresenta como protagonista um bombeiro que ao invés de apagar o fogo, queima, e queima o que há de mais importante para a vida intelectual e formação de seres humanos em toda a história da humanidade: livros. A sociedade criada pelo autor se resume a um povo sem passado nem futuro, restrito à satisfação de necessidades vitais; trata-se de uma vida alienada, permeada pela televisão, governada por uma oligarquia e por leis injustas, mas não questionadas. Sua obra reflete uma representação crítica e depreciativa do socialismo da União Soviética, endossada pelos Estados Unidos da América em plena guerra fria – país cujo slogan cultural e econômico é o American Way of Life, ou o American Dream, enraizado no capitalismo. O senador McCarthy instaurou no país uma luta contra o comunismo (“a onda vermelha”), banindo qualquer tipo de manifestação que desafiasse o sistema econômico capitalista, incluindo as literárias. Por meio de uma análise histórico-literária de Fahrenheit 451, investigada à luz de uma história mundial da destruição dos livros, este trabalho propõe a importância da leitura como elemento essencial na formação da identidade do ser humano e da sociedade em que vive, enfocando as relações entre a cultura e o poder expressas na obra a partir dos estudos e categorias propostos pela Nova História Cultural.