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EXÍLIO E O DISCURSO EM ‘MINHAS QUERIDAS’

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A abordagem central desta pesquisa desenvolve-se a partir da análise de alguns excertos das correspondências pessoais de Clarice Lispector mantidas com suas irmãs durante os anos em que viveu fora do Brasil (1944 e 1959). Este trabalho busca refletir sobre as influências da condição exílica em seu processo literário a partir de relatos de sentimentos da referida autora como desenraizamento, (des) pertencimento e inadaptação, suscitados pela sua experiência no exílio. Este trabalho partiu de investigações das cartas organizadas no livro Minhas Queridas (2007), compiladas pela biógrafa Tereza Montero; especificamente durante os três anos em que a escritora viveu em Berna na Suíça. Buscou-se aporte nos conceitos de discurso e poder de Michael Foucault (1969); e no viés territorial da questão de exílio, esta proposta encontrou respaldo nos estudos Edward Said (2003); e pela perspectiva existencial - da condição exílica como uma experiência do movimento de saída de si mesmo - a partir da noção de exílio de Jean Luc Nancy (1996). Desse modo, constatou-se que a manutenção da subsistência física e intelectual da escritora, dependeu, em certo ponto, do poder do discurso na comunicação das missivas, que ela utilizava como ferramenta de controle de sobrevivência e de subjetivação.