Apar[ess]ência[s]
Entende-se que os discursos que envolvem a maternidade são construídos historicamente e a posição-sujeito mãe é ocupado pela mulher, que ao fazer a escolha por ter filhos, é atravessada por discursos e práticas de silenciamentos a respeito do que se pode dizer e sentir na posição-sujeito mãe. O que se observa é a projeção sobre a mulher de valores ideológicos constitutivos de uma memória que estabiliza sentidos e não se abre facilmente ao debate: o discurso sobre o que é ser mãe e os sentimentos que se deve experienciar nessa condição determinam o percurso materno a ser seguido. Estabelecido este ponto de partida, objetiva-se problematizar, a partir dos estudos da Análise de Discurso de linha francesa, os efeitos que se constituem no intervalo silencioso que cinde o sujeito mulher em mulher-mãe. Para tanto, toma-se como objeto de discussão o filme “A garota no trem” (2016), inspirado na obra de Paula Hawkins (2015). Para o trabalho, o enredo será pensado a partir de três conflitos: 1) a ausência x a presença do filho (não mãe /ser mãe); 2) a presença do filho não desejado (ser mãe/não ser mãe) e 3) a carnavalização da maternidade idealizada.