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O corpo ordinário: sentindo o cotidiano nas tiras de Rafael Sica

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Perceber é reduzir: Henri Bergson (2011) calculou que levaria 250 séculos para perceber cada onda de luz vermelha em um intervalo de um segundo. Na realidade, não se percebe cada onda, a memória contrai diversas nuanças, tão numerosas quanto se queira, e possibilita ao ser humano a perceber e a agir em meio aos turbilhões de estímulos. Essa capacidade participa do ato de desenhar e o desenho guarda marcas desse processo. Tal como Gilles Deleuze mostrou em A imagem movimento: Cinema 1 (2004) e em A imagem-tempo (2005), perceber a imagem envolve o corpo, que pode, em resumo, reagir, movimentar, ou se lançar na indeterminação, interromper o esquema sensório-motor. Assim, este trabalho se debruça sobre o corpo e as histórias em quadrinhos, em especial o corpo nas tiras de Rafael Sica (2010), em Ordinário, e nas tiras de Vinicius Mitchell (2016), quadrinistas de estilos diferentes que pensam a experiência urbana e cotidiana. A partir de uma reflexão sobre a relação do corpo com as imagens, pretende-se ler o corpo, suas ações e disposições nas imagens das tiras selecionadas.