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A culpabilização da mulher em O Primo Basílio

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Narrado em terceira pessoa, O Primo Basílio, romance de Eça de Queirós publicado em 1878 em Portugal, carrega traços de ironia e sondagens psicológicas que constroem uma tese moral em defesa dos moldes da família patriarcal. Nesse sentido, coloca as mulheres como responsáveis pelo caos que se instaura na sociedade de Lisboa ao representá-las por meio do estigma da futilidade de Luisa, da lascívia de Joana e Leopoldina, da beatice de Dona Felicidade e da rebeldia de Juliana. O objetivo do trabalho é apresentar essa leitura do caráter das personagens e da sua atuação no livro a partir da análise da voz do narrador, fortemente carregada da perspectiva conservadora burguesa do fim do século XIX, que imperava na Europa. A abordagem se pauta em levantamentos vocabulares e de fragmentos que apontam o tom moralizante da obra, bem como em aspectos estéticos da narrativa, a exemplo do foco e do discurso. Além disso, leva em conta o pensamento intelectual vigente na época da publicação, posicionamentos pessoais de Eça de Queirós expressos em cartas e periódicos e análises recentes oriundas da Crítica Literária Feminista.