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Textos Midiáticos: Práticas de Leitura na Construção do Sentido

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TEXTOS MIDIÁTICOS: PRÁTICAS DE LEITURA NA CONSTRUÇÃO DO SENTIDO

INTRODUÇÃO
A leitura é um ato que depende de estímulo e de motivação contínua. Sua prática é uma tarefa essencial para a construção do conhecimento e a formação do indivíduo, além de ser geradora de sentimento e de opinião crítica, exercendo sobre o indivíduo o poder de expandir seus horizontes.
“Ler, para alguns autores, é extrair o significado do texto. Para outros é atribuir um significado” (LEFFA, 1996, p. 9). Desta forma, o processo de leitura possui uma visão antagônica, sendo no primeiro, a direção é do texto para o leitor. No segundo, é do leitor para o texto. Assim,
A acepção de que ler é atribuir significado, põe a origem do significado não no texto, mas no leitor. O mesmo texto pode provocar em cada leitor e mesmo em cada leitura uma visão diferente da realidade. A visão da realidade provocada pela presença do texto depende da bagagem de experiências prévias que o leitor traz para a leitura. O texto não contém a realidade, reflete apenas segmentos da realidade, entremeados de inúmeras lacunas, que o leitor vai preenchendo com o conhecimento prévio que possui do mundo (LEFFA, 1996 p. 14).

Saber ler é, então, compreender, julgar, apreciar e criar. Poderá ser algo mais quando consideramos o leitor, que se assume agente ativo neste processo, e assim a interação entre as experiências e os conhecimentos anteriores desse leitor associam-se ao reconhecimento dos símbolos impressos, à informação lexical e gramatical veiculada na mensagem e consequente atribuição de significado.

A concepção da leitura como um processo de extração tem, no entanto, sérias limitações. O verbo extrair, em primeiro lugar, não reflete o que realmente acontece na leitura. O leitor não extrai um conteúdo do texto, como se o texto fosse uma mina que se esvaziasse com a mineração. O conteúdo não se transfere do texto para o leitor, mas antes se reproduz no leitor, sem deixar de permanecer no texto (LEFFA, 1996, p. 13).

A leitura é um processo em constante construção, e com ela mantém uma estreita relação. Numa concepção sociocognitivo-interacional, o sentido do texto é construído, levando-se em consideração as pistas deixadas pelo autor e os conhecimentos do leitor. A leitura é o processo ao qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto. Essa atividade implica estratégias de seleção, antecipação, inferência e verificação. Compreender não é apenas uma ação linguística ou cognitiva, mas uma forma de inserção no mundo e um modo de agir sobre o mundo na relação com o outro dentro de uma cultura e de uma sociedade.
Segundo Kleiman (2000), muitas propostas de leitura apresentadas no contexto de sala de aula são desmotivadoras e, provêm basicamente de concepções erradas sobre a natureza do texto e da leitura e, portanto, da linguagem. Elas são práticas sustentadas por um entendimento limitado e incoerente do que seja ensinar português, entendimento esse tradicionalmente legitimado tanto dentro como fora da escola.
O sentido de um texto é construído na interação texto/ sujeitos e não algo que preexista a essa interação. A leitura é, pois, uma atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza evidentemente, como base nos elementos linguísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização, mas requer a mobilização de um vasto conjunto de saberes no interior de um evento comunicativo. (BAKHTIN, 1997).

A interação, portanto, não é aquela que se dá entre o leitor, determinado pelo seu contexto, e o autor, através do texto. Essa interação se refere especificamente ao inter-relacionamento, não hierarquizado, de diversos níveis de conhecimento do sujeito (desde o conhecimento gráfico até o conhecimento do mundo) utilizados pelo leitor na leitura (KLEIMAN, 1996, p. 31).

Com a construção de sentidos, novos conhecimentos poderão ser estabelecidos, porque novos olhares são lançados, uma vez que, o ensino atentando para concepção de leitura como prática social, promove a ampliação da consciência sobre si e sobre a sociedade, favorecendo, assim, a formação de leitores como sujeitos críticos e participativos na sociedade.
Essa construção de sentido é possível por meio de uma ação dialógica. Conforme Bakhtin (1997), o sentido da palavra é totalmente determinado por seu contexto. Já para Wolf (2005), a individualidade é substituída pela pseudo- individualidade, no qual o sujeito se encontra vinculado a uma identidade sem reservas com a sociedade. A influência da indústria cultural, em todas as suas manifestações, leva a alteração da própria individualidade do receptor/interlocutor: ele é como o prisioneiro que serve à tortura, e acaba confessando qualquer coisa, inclusive o que não cometeu.
A leitura midiática está presente em todos os contextos da vida cotidiana. A escola, como um lugar de formação integral do sujeito, não pode e não deve se esquivar do trabalho criterioso com as especificidades da linguagem midiática em todos os níveis de ensino.
Por texto midiático, estamos nos referindo às mensagens orais, escritas e imagéticas veiculadas pela mídia. E por mídia compreendemos que é a “designação genética dos meios, veículos e canais de comunicação, como, por exemplo, jornal, revista, rádio, televisão, outdoor, etc.” (FERREIRA, 2001, p. 462).
No contexto sócio- histórico, econômico e cultural no qual estamos inseridos há cobranças a todo instante de uma leitura crítico- reflexiva, no qual o leitor concentra-se nos aspectos mais relevantes do texto, sendo capaz de separar as ideias secundárias da ideia central. Requer maior reflexão que pode ser obtida por meio da análise, comparação, diferenciação, síntese e julgamento das ideias contidas no texto. Agora, no século XXI, é uma exigência cada vez mais crescente a habilidade para decidir, fazer escolhas pertinentes com rapidez e perspicácia.
Koch e Elias (2008, p.18) afirmam que a leitura crítico-reflexiva é aquela em que “processamos, criticamos, contrastamos e avaliamos as informações que nos são apresentadas produzindo sentido para o que lemos”. Já Villardi (1999) diz que é através dessa forma de leitura que o aluno se posiciona e analisa as informações que recebe, adquirindo assim atributos que contribuirão para o desenvolvimento de sua própria cidadania.
Obviamente, não existe um manual para formar um aluno crítico reflexivo, mas há um propósito para formar este aluno, porque a necessidade de formar o sujeito através da leitura crítica e reflexiva parte da necessidade de formar um cidadão consciente e participante em seu meio social, pois a leitura fornece subsídios para a formação desse sujeito, tornando-o capaz de interferir na sociedade, a partir da conscientização e reflexão das questões relevantes para o ambiente ao qual o mesmo está inserido.
O ambiente escolar não está isento dessas novas exigências sociais, históricas e culturais. A escola a cada dia está sendo mais cobrada por resultados mais significativos no que tange à leitura e à escrita, ou seja, na recepção e produção de conhecimentos.
Tendo em vista a necessidade de se ater a formação do cidadão como ser social participativo ciente de suas escolhas é necessário que a escola dê uma atenção especial aos textos midiáticos. Fazendo isso, certamente, estará contribuindo para a formação de um possível leitor crítico do contexto sociocultural.
As ferramentas midiáticas permitem que a aprendizagem ocorra a partir do momento que os alunos passem a participar ativamente do processo, como parceiros entre eles e com o professor. Sobretudo os recursos disponíveis hoje na internet, desde que com as devidas adaptações e com o seu uso resultando de uma estratégia de aplicação, oferecem um universo de possibilidades a ser explorado na perspectiva da participação ativa do aluno, o que representa o melhor investimento do professor para o enriquecimento de sua atuação (BARBOSA; SERRANO, 2005).
Mediante a era tecnológica em que os estudantes estão inseridos atualmente, torna-se essencial para a instituição educacional incluir essa realidade no âmbito escolar. Portanto, o texto midiático destaca a importância de que não basta só saber ler e escrever, e sim é preciso interpretar fazendo uso dessas práticas. Desta forma, o texto midiático é o alicerce para construção destas novas práticas nas escolas. Os educadores de modo interdisciplinar devem fazer uso destes recursos visando uma aula mais dinâmica e prazerosa em que os alunos participem e não se afastem do foco principal.
Como professora de Língua Portuguesa da educação básica de uma escola pública observamos uma enorme dificuldade dos alunos em ler, compreender textos midiáticos, assim ao ingressar no Programa do Mestrado Profissional em Letras – ProfLetras/ Unimontes 2017, nos propomos a pesquisar as implicações pedagógicas do trabalho com textos midiáticos para construção de sentidos na leitura dos alunos da educação básica. O Programa de Mestrado Profissional em Letras (Profletras), oferecido em rede nacional, é um curso de pós-graduação stricto sensu que conta com a participação de instituições de ensino superior públicas. O programa tem como objetivo, contribuir para a formação continuada de docentes no ensino de língua portuguesa em todo o território nacional em nível de mestrado profissional.
Para viabilizar o trabalho com o letramento se faz necessário um conceito de ensino de leitura como prática social, que dê conta dos vários tipos de conhecimento que interagem nos processos interpretativos: conhecimento linguístico textual, conhecimento prévio de mundo, de práticas sociais gerais e discursivas; ou seja, é preciso ver o processo de leitura na sua abrangência social e não apenas na sua dimensão cognitiva. Dessa forma, é premente a necessidade de desenvolver e testar novos caminhos para incentivar os alunos, professores e indivíduos em geral a se interessarem em contestar e por muitas vezes quebrar o círculo do senso comum daquilo que parece natural, não problemático, mas que recria e reforça formas de alienação. Como fundamentos teóricos, esta pesquisa está sendo embasada nos estudos realizados por Bakhtin (1997), Kleiman (2013), Leffa (1996) e Kock e Elias (2013)” (SANTOS, CAMPELO, LOPES, 2014) que sustenta a abordagem sociocognitivista interacional (ou interacionista) da Linguística Textual.
Tal abordagem concebe a educação como uma forma de organizar o pensamento do sujeito possibilitando-lhe uma visão crítica do mundo, tornando-o capaz de usar a leitura e a escrita de maneira consciente de modo a conhecer e intervir na realidade e buscar melhorias para as implicações pedagógicas do trabalho com textos midiáticos, podem contribuir para a construção de sentidos na leitura dos alunos.
A hipótese consiste em fazer intervenções pedagógicas utilizando textos midiáticos, mediadas pelo professor, de forma a contribuir para a construção de sentido da leitura dos alunos da Educação Básica.

OBJETIVO
Analisar as implicações pedagógicas do trabalho com textos midiáticos para construção de sentidos na leitura dos alunos da Educação Básica.

MATERIAL E MÉTODO
Quanto à natureza, esta pesquisa pode ser classificada como aplicada. De acordo com Barros e Lehfeld (2000, p. 78), a pesquisa aplicada tem como motivação a necessidade de produzir conhecimento para aplicação de seus resultados, com o objetivo de “contribuir para fins práticos, visando à solução mais ou menos imediata do problema encontrado na realidade”. Quanto aos objetivos, esta pesquisa classifica-se em explicativa, que de acordo com Gil (1999), a pesquisa explicativa tem como objetivo básico a identificação dos fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência de um fenômeno. Quanto aos procedimentos técnicos utilizados, adotaremos a pesquisa bibliográfica, que é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído de livros e também do levantamento, que é a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados.
Elegemos como metodologia de pesquisa a pesquisa-ação, já que prioriza e valoriza os aspectos qualitativos do problema estudado. A pesquisa-ação é utilizada para identificar problemas relevantes dentro da situação investigada, definir um programa de ação para a resolução e acompanhamento dos resultados obtidos.
Em relação às técnicas de coleta de dados, utilizamos a entrevista, observação participante e a realização de atividades práticas, por serem técnicas de investigação mais indicadas, para pesquisas que tem o caráter de comparação, avaliação e descrição e por atender à característica da pesquisa-ação, de ter como foco de atenção do pesquisador o significado que as pessoas dão às coisas e à vida.
Segundo Cervo e Bervian (2002), a entrevista é uma das principais técnicas de coleta de dados e pode ser definida como conversa realizada face a face pelo pesquisador junto ao entrevistado, seguindo um método para se obter informações sobre determinado assunto.
A observação também é considerada uma coleta de dados para conseguir informações sob determinados aspectos da realidade. Ela ajuda o pesquisador a “[...] identificar e obter provas a respeito de objetivos sobre os quais os indivíduos não têm consciência, mas que orientam seu comportamento” (MARCONI e LAKATOS, 1996, p. 79). A observação também obriga o pesquisador a ter um contato mais direto com a realidade.
As atividades práticas serão planejadas, realizadas e avaliadas com o objetivo de contribuir para a melhoria da prática pedagógica do trabalho do professor da Educação Básica com textos midiáticos, para construção de sentidos na leitura dos alunos. O universo da pesquisa são duas turmas de 8º ano que totalizam 47 alunos das séries finais do Ensino Fundamental e duas turmas do 1º ano do Ensino Médio que totalizam 53 alunos, ambas as turmas fazem parte da Escola Municipal São Judas Tadeu na cidade de São Francisco-MG. A amostra da investigação será constituída por 27 alunos integrantes do 8º ano do Ensino Fundamental e 32 alunos integrantes do 1º ano do Ensino Médio.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Pesquisa em andamento, fase de conclusão de elaboração do projeto de intervenção.

CONCLUSÃO
Pesquisa em andamento, fase de conclusão de elaboração do projeto de intervenção.

AGRADECIMENTOS
À CAPES pela concessão da bolsa de mestrado.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, A.; SERRANO, A. O blog como ferramenta para construção do conhecimento e aprendizagem colaborativa. Relatório de pesquisa, UOL, 2005.

BARROS, A. J. S. e LEHFELD, N. A. S. Fundamentos de Metodologia: um guia para a iniciação científica. 2. ed. São Paulo: Makron Books, 2000.
BAKTHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. Trad. M. Lahud e Y. F. Vieira. 8. ed. São Paulo: Hucitec, 1997.

CERVO, A. L. e BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 4. ed. São Paulo: Makron Books, 2002.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

KLEIMAN, Ângela. Leitura: Ensino e pesquisa. Campinas: Pontes, 1996.

KLEIMAN, Ângela. Oficina de Leitura. Campinas: Editora Pontes, 2000.

KLEIMAN, Ângela. Texto e leitor: Aspectos cognitivos da leitura. 15. ed., Campinas, SP – Pontes Editores, 2013.
KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2008.

KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. – 3. ed. – São Paulo: Contexto, 2013
LEFFA, J. Aspectos da leitura: uma perspectiva psicolinguística. Porto Alegre: Sagra: DC Luzzatto, 1996.
MARCONE, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científico. 6. ed. São Paulo: Atlas, 1996.

WOLF, Mauro. Teorias das comunicações de massa. Trad. Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2005.