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RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA E SUBJETIVIDADE NA ESCRITA CIENTÍFICA DE ACADÊMICOS DOS CURSOS DE LICENCIATURA DA ÁREA DE LETRAS

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Introdução
O trabalho apresenta resultados de uma pesquisa desenvolvida no projeto “O letramento acadêmico no âmbito das licenciaturas na Universidade Estadual de Montes Claros”, que intenciona dar contribuições quanto à leitura e à escrita de textos acadêmicos na Unimontes.
Conforme Motta-Roth e Hendges (2010), saber escrever textos científicos é essencial para os graduandos, uma vez que a publicação desses textos é cada vez mais exigida no meio universitário. Todavia, é comum que eles tenham dificuldades de se posicionarem ao escreverem um texto acadêmico, o que é corroborado pelos estudos de Boch e Grossman (2002) e de Carvalho (2013), ao apontarem que as vozes dos pesquisadores iniciantes muitas vezes ficam ofuscadas em meio a excessivas citações. Essa dificuldade destaca a necessidade de se ampliar a discussão, na universidade, sobre as formas de expressar criticidade no texto acadêmico, o que torna esse trabalho relevante.
Assim, com vistas a responder quais são as marcas linguísticas que colocam em relevo a autoria responsiva dos autores de artigos científicos, foi definido, como objetivo geral, identificar marcas linguísticas que evidenciam a subjetividade em uma amostra de textos científicos escritos por acadêmicos de licenciatura. Especificamente, pretendeu-se (i) descrever as estratégias discursivas usadas para evidenciar avaliações e críticas, como as modalizações; (ii) evidenciar o gerenciamento das vozes que demarcam o dizer autônomo e (iii) averiguar se, em geral, demonstram responsabilidade enunciativa.

Referencial teórico
Para a fundamentação da pesquisa, foram utilizadas as concepções da Linguística Textual acerca de texto e de gêneros textuais com base nos estudos de Marcuschi (2008). Com referência ao letramento, foi observada a proposta de Soares (1998) e, sobre letramento acadêmico, o proposto por Carlino (2017), que o define como o “[...] conjunto de noções necessárias para participar de uma cultura discursiva das disciplinas, assim como das atividades de produção e análise de textos requeridas para aprender na universidade.” (CARLINO, 2017, p. 17).
Os pressupostos teóricos que nortearam a análise de dados tiveram como base os conceitos do interacionismo na perspectiva de Bronckart (2012), para quem as vozes do texto são as “entidades que assumem (ou às quais são atribuídas) a responsabilidade do que é enunciado” (BRONCKART, 2012, p. 236) e as modalizações são “[...] comentários ou avaliações formulados a respeito de alguns elementos do conteúdo” (BRONCKART, 2012, p. 330).

Metodologia
Quanto aos objetivos, a pesquisa foi exploratória e descritiva e, quanto ao delineamento, foi qualitativa. Para a composição do corpus foram analisados dois artigos científicos escritos por acadêmicos, em parceria com professores mestres, publicados pela Revista Intercâmbio (2017), um da áreas de Letras Português e outro de Letras Espanhol.

Resultados e discussão
A responsabilidade enunciativa foi construída de modo diverso nos dois textos. Em um deles, a voz dos autores aparece de forma mais velada, quase não há uso da primeira pessoa do plural, ao passo que verbos com sujeito indeterminado são frequentes. Todavia, no outro, a primeira pessoa do plural predomina, o que revela um maior comprometimento com o dizer. Com relação às modalizações, foi recorrente, em ambos os textos, o uso de adjetivos e, de modo menos frequente, foram empregados advérbios e auxiliares de modalização.

Conclusão
Foi possível constatar que, embora de modo diferente, os dois textos apresentam responsabilidade enunciativa. As marcas linguísticas utilizadas para evidenciá-la foram variadas, uma vez que a voz dos autores aparece ora através da primeira pessoa do plural ora através do sujeito indeterminado, e os posicionamentos são expressos tanto por adjetivos quanto por advérbios e outros elementos modalizadores.