O Processo de Inclusão Cultural Quilombola no Ambiente Escolar.
O PROCESSO DE INCLUSÃO CULTURAL QUILOMBOLA NO AMBIENTE ESCOLAR
Luana dos Reis Oliveira
Daiane Andrade Fonseca de Oliveira
O reconhecimento legal das comunidades quilombolas no Brasil foi de extrema importância, dando visibilidade a questões típicas de uma sociedade baseada em distinções étnicas e culturais. Neste sentido, o presente trabalho que se intitula “O PROCESSO DE INCLUSÃO CULTURAL QUILOMBOLA NO AMBIENTE ESCOLAR” tem como principal objetivo compreender como ocorrem e são desenvolvidas as práticas pedagógicas para a promoção da inclusão cultural no ambiente escolar, em particular dos estudantes advindos de comunidades quilombolas. Para tanto, foi proposta uma pesquisa investigativa, realizada em duas escolas, uma da cidade de Januária/MG, e a outra da cidade de Pedras de Maria da Cruz/MG.
A metodologia da pesquisa constitui-se em estudos bibliográficos com os seguintes autores: Gadotti (1992), Heilbom (2010), Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), Constituição Federal (1988), Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/94 e demais autores que abordam a temática. Através da análise de livros, artigos científicos e pesquisa de campo cujo instrumento de coleta de dados foi um questionário semiestruturado, o qual fundamenta a presente investigação. Esta pesquisa pretende contribuir com as reflexões acerca da diversidade direcionada para o cotidiano escolar e incentivar futuros estudos sobre o tema. E, ainda, constituir um referencial histórico científico no que tange a política de inclusão escolar no contexto da cidade de Januária/MG.
Procedeu-se a análise, interpretação, discussão e conclusão dos dados coletados de modo que buscamos entender as práticas que as escolas utilizam para tentar suprir a dívida social, que recai até hoje pela população negra, tanto em escolas exclusivas de Educação Quilombola quanto em escolas que atendem alunos procedentes de comunidades reconhecidas como quilombolas, mas que não são escolas específicas quilombolas.
Com base no estudo bibliográfico e na pesquisa de campo, foi possível compreender a relevância que essas práticas representam no desenvolvimento desses alunos, tanto na vida estudantil, quanto no cotidiano dessas pessoas.
O estudo nos permitiu realizar comparações, com duas realidades distintas. Uma das escolas pesquisadas está inserida em uma comunidade reconhecida como quilombola, em que seus moradores se declaram negros e oriundos de quilombos. A outra escola possui um panorama diferente, uma escola tradicional de uma cidade, que atende alunos oriundos de comunidades quilombolas. Nesse sentido compreendemos a importância do reconhecimento da comunidade como quilombola no que se refere ao reconhecimento de identidade e territorialidade quilombola.
Constatamos que as práticas de inclusão adotadas pelas duas instituições pesquisadas possuem maior intensificação na escola localizada na comunidade quilombola onde as ações e projetos escolares comtemplam a valorização pessoal e a valorização da história quilombola, seus costumes, culturas e crenças, além disso, há o fomento de as verbas governamentais recebidas serem superiores às destinadas as escolas tradicionais. Em contraponto, a escola que se localiza na área urbana e não é denominada quilombola, não conta com uma participação efetiva das comunidades quilombolas que atende, ainda que desenvolva práticas inclusivas.
Em relação ao autorreconhecimento da identidade quilombola a pesquisa aponta que inicialmente os alunos foram resistentes a se autodeclarem pertencentes a está etnia, o que em tese reflete um aspecto da comunidade na qual estão inseridos e ainda nas questões relacionadas ao preconceito e discriminação racial que fazem parte de nossa sociedade.
Portanto, a pesquisa trouxe respostas relativas ao atual panorama educacional no que tange a questão da inclusão cultural quilombola no cenário januarense. Os resultados alcançados possibilitaram responder a problemática levantada, que visava compreender como ocorre a inclusão dos alunos oriundos de comunidades quilombolas e quais as práticas pedagógicas utilizadas no processo de inclusão, ensino e aprendizagem desses alunos.
A hipótese norteadora foi verificada e comprovada, haja visto que no ambiente escolar pesquisado encontram-se práticas pedagógicas que vislumbrem a promoção da diversidade em detrimento do preconceito racial e cultural. Acreditamos que a educação quilombola passa por um momento de implantação e que os alunos e comunidades atendidas por estes educandários seguem essa mesma tendência de transição e reconhecimento de suas identidades étnicas. Talvez por este motivo seja perceptível que há muito a se fazer e transformar para termos uma sociedade justa igualitária, pois o preconceito e a discriminação encontram-se enraizados na cultura das diferenças e que através das práticas escolares inclusivas alcançaremos o respeito às diversidades.
Palavras-Chaves: Educação, Inclusão, Cultura, Etnia.