INDISCIPLINA, UM OBSTÁCULO NA FORMAÇÃO DOCENTE
INDISCIPLINA, UM OBSTÁCULO NA FORMAÇÃO DOCENTE
Ana Flávia Durães Freitas; Acadêmica da Unimontes; [email protected] Danúbia Patrícia Da Silveira Leite; Acadêmica da Unimontes; [email protected] Frederico Mendes Queiroz; Acadêmico da Unimontes; [email protected] Thais Cristina Versiani Carvalho; Acadêmica da Unimontes; [email protected]
Introdução
A pesquisa tem como tema a indisciplina. Para Garcia (2006, p.125), este assunto refere-se a situações de conflito que alunos protagonizam e que produzem rupturas relacionadas às esferas pedagógica e normativa da escola. Nesse processo há o acarretamento na dificuldade de construção do conhecimento, como afirmam os professores entrevistados.
Este estudo tem por objetivo discutir a influência que a indisciplina exerce sobre o cotidiano escolar e o modo como os professores trabalham com a situação. A investigação orientou-se pelo seguinte problema: Como é vista a indisciplina no ambiente educacional? As estratégias pedagógicas desenvolvidas pelos professores têm se mostrado eficientes para o controle da indisciplina?
O estudo tem como base a revisão bibliográfica e a pesquisa de campo, ambos de natureza qualitativa, sendo que, no processo de coleta de dados, utilizou-se de questionários que foram aplicados para professores das séries iniciais. Os sujeitos participantes encontram-se na faixa etária de 28 a 40 anos, com experiência de 7 a 20 anos de exercício da função. Infere-se que a pesquisa foi realizada em escolas públicas da cidade de Montes Claros no ano de 2017.
Apresentação e análise dos dados
Em termos de Indisciplina, 30 professores de 6 escolas diferentes responderam a um questionário, contendo seis perguntas. Após análise dos dados obtidos, infere-se que os professores colaboradores verificam a reação e comportamento de cada aluno para definir o que vem a ser “indisciplinado”. Para eles este comportamento se daria no caso de alunos que ultrapassam os limites rotineiramente, comprometem a aprendizagem dos demais com conversas paralelas, não realizam atividades, não praticam valores éticos, cometem agressão verbal e/ou corporal e, possivelmente, trazem problemas emocionais de seu convívio familiar, salientam 24 professores, o que representa 80% da categoria entrevistada. Os demais professores acreditam que o problema em questão está ligado à falta de motivação dos pais e das escolas.
De acordo com Garcia (2006, p.124), a indisciplina remete a uma gama de significados conceituais. Em relação aos centros educacionais se trata de uma ruptura e negação de normas e diretrizes pré-estabelecidas para o bom funcionamento destes – o que valida a resposta dos docentes, além de evidenciar o domínio deles acerca do assunto.
Indagados sobre as formas que se pode adotar para produzir melhorias em relação aos comportamentos dos discentes, os docentes acreditam que a dificuldade ocorre devido à ausência dos pais, apontam, ainda, que os responsáveis pelas crianças têm deixado toda a educação dos filhos na mão da escola e que esta, além de ter que alfabetizá-los, tem que educá-los.
Segundo Oliveira (2005), toda indisciplina tem uma causa e que a mesma não é simplesmente uma ação, mas uma reação. Para a autora, existem vários fatores determinantes da disciplina, um deles é a família, esta tem um papel fundamental na vida do aluno, o de educar. No entanto, esta tarefa tem sido negligenciada por eles, sendo assim o indivíduo acaba perdendo um dos referenciais mais importantes, seus pais, e na escola seus atos podem refletir negativamente no processo de aprendizado.
Ainda foi exposto pelos professores que a indisciplina de alguns alunos é fruto da falta de perspectiva de vida, orientação dos familiares, direcionamento dos responsáveis, o que acaba refletindo em sala de aula, prejudicando a maioria dos outros alunos que desejam aprender. Oliveira (2005) diz que a "educação oferecida" pelos responsáveis reflete na relação da criança com os colegas e com os professores, podendo gerar atitudes indesejáveis na escola, que culminam em desobediência, agressividade, falta de respeito perante os colegas, professores e outros.
No tocante às estratégias que os professores têm utilizado para o controle da disciplina, oitenta por cento dialogam com a criança a respeito do assunto, quinze por cento elaboram atividades lúdicas expondo a questão e cinco por cento estabelecem combinações, como por exemplo, pontos extras para os que se comportam bem. Para potencializar a criação de “laços” com os alunos e a motivação destes, os professores devem evitar o distanciamento, a “neutralidade afetiva” e o autoritarismo, devendo, ao contrário, fomentar uma relação caracterizada pelo diálogo, pela negociação e pelo respeito mútuo infere Neves de Jesus (1991, p.22).
Por meio das informações apresentadas podemos inferir que a indisciplina está presente em todas as escolas ou na maioria delas, tanto na sala de aula como nas dependências da instituição. E a concepção de indisciplina é muito relativa se considerarmos a situação econômica, social, histórica, cultural, como aponta Garcia (2006, p.124), quando afirma que há séculos esse conceito de (in)disciplina na escola vem sendo elaborado.
Considerações finais
A família é o primeiro degrau para a formação moral, ética e social do indivíduo, todavia, a escola não precisa restringir apenas à imposição de regras, mas construir junto com a família e a comunidade a transferência de princípios que regem a boa convivência. Afinal, a educação não pode ser vista como responsabilidade apenas da escola, sabemos que a família, a religião, a ação política, os meios de comunicação e as experiências pessoais também acarretam na formação do cidadão.
Palavras-chave: Educação: Indisciplina; Formação docente.
Referências:
GARCIA, Joe. Indisciplina, incivilidade e cidadania na escola. Curitiba, Revista Pan Americana de Desenvolvimento, n° 95, Jan/Abr.,2006.
NEVES DE JESUS, Saul. Estratégias para motivar os alunos. Educação, Porto Alegre, v. 31, n. 1, p. 21-29, jan./abr. 2008.
OLIVEIRA, Maria Izete. A indisciplina escolar: determinações, consequências e ações. Brasília: líber livro, 2005.