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As condições de trabalho para os professores foram definidas pela Organização Internacional do Trabalho ao reconhecer o lugar que estes ocupam na sociedade, visto que são os principais protagonistas pelo preparo do cidadão para a vida. Na contemporaneidade espera-se que o professor extrapole a mediação do processo ensino-aprendizagem, ampliando sua missão docente para além da sala de aula. Além de ensinar, o professor deve participar da gestão e do planejamento escolares, o que implica um sobreesforço ou hipersolicitação de suas funções psicofisiológicas, fato que pode desencadear ou precipitar os sintomas clínicos que explicariam os índices de absenteísmos por, dentre outros fatores, transtornos mentais. O estudo buscou responder: qual índice de absenteísmo por transtorno mental em uma instituição de ensino superior (IES) e seu impacto no processo ensino-aprendizagem? O objetivo foi avaliar o índice de absenteísmo por transtornos mentais em uma IES, bem como o impacto do absenteísmo no processo de ensino-aprendizagem. Trata-se de estudo documental, retrospectivo, transversal, descritivo e análise quantitativa, realizado em uma IES privada na cidade de Montes Claros-MG, através do relatório de atestados médicos fornecido pelo setor de Recursos Humanos no período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2016. Análise dos dados foi através do software SPSS 22.0. Em 2016 a IES possuía 580 docentes registrados destes, 26% protocolarem atestado médico para justificar sua ausência ao trabalho sendo, 9% classificados pela Classificação Internacional de Doenças como doenças do capítulo V – transtornos mentais e comportamentais. A análise estatística apontou que 100% destes atestados são do sexo feminino, a média de idade é 41 anos e com 5 anos de admissão. Com relação aos dias não trabalhos, somados totalizam 356 dias, com média de 27 dias por atestado, 23% dos professores protocolarem atestado médico mais de uma vez no período estudado. Os meses de abril e setembro concentraram o maior número de atestados. O absenteísmo seria um mecanismo de defesa utilizado contra a tensão derivada do exercício docente como forma de atingir um alívio para escapar das tensões acumuladas e conflitos dentro de sala de aula e com estrutura hierárquica das instituições. O absenteísmo feminino é influenciado pelo fato de que a maioria das mulheres cumprem dupla jornada de trabalho. A ausência do professor pode ocasionar nos alunos uma situação de desconforto e impedir ou atrapalhar o processo de ensino-aprendizagem, visto que a troca ou substituição contínua de professores não permite a construção dos vínculos afetivos e continuidade de conteúdos. Este estudo não possibilita estabelecer associações diretas desses problemas com o trabalho desenvolvido pelos professores, mas é possível propor ações a serem desenvolvidas pela IES que visam a promoção da saúde de seu corpo docente.