EXTRAÇÃO ALCALINA DE PROTEÍNAS DA CASCA DO TUCUMÃ-DO-AMAZONAS (ASTROCARYUM ACULEATUM) COM PRÉ-TRATAMENTO POR ULTRASSOM DE ALTA POTÊNCIA

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Resumo

A crescente demanda por proteínas e a necessidade de reduzir os impactos ambientais da produção de alimentos impulsionam a busca por fontes proteicas sustentáveis. Como alternativa, a casca do tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum aculeatum), subproduto frequentemente descartado, apresenta potencial para obtenção de concentrados proteicos. Este trabalho teve como objetivo avaliar a extração de proteínas da farinha da casca do tucumã por extração alcalina convencional e extração alcalina precedida de pré-tratamento de ultrassom de alta potência, além da caracterização parcial do concentrado obtido. Inicialmente foi determinada a composição proximal da farinha, compreendendo os teores de umidade, cinzas, lipídeos, proteínas e carboidratos. Em seguida, foi identificado o ponto isoelétrico das proteínas por precipitação ácida em diferentes valores de pH (1,5; 2,0; 2,5; 3,0; 3,5; 4,0; 4,5 e 5,0). Posteriormente, foram comparados os métodos de extração convencional e de extração alcalina precedida de pré-tratamento com ultrassom, empregando potência de 212,5, 425 e 637,5 Watts durante 10, 20 e 30 minutos. Foram avaliados o rendimento global de extração, rendimento proteico, pureza do concentrado, teor de proteínas solúveis e solubilidade. A farinha apresentou 6,65% de umidade, 3,53% de cinzas, 19,98% de lipídeos, 8,22% de proteínas e 61,62% de carboidratos, demonstrando potencial para a obtenção de extratos proteicos. O ponto isoelétrico das proteínas foi determinado em pH 3,5, condição utilizada na etapa de precipitação isoelétrica para obtenção do extrato proteico. O pré-tratamento com ultrassom promoveu aumento significativo (p<0,05) dos rendimentos de extração e do rendimento proteico em
relação ao método convencional. A condição correspondente a 425W durante 20 minutos apresentou o maior rendimento global de extração (10,72%) e o maior rendimento proteico (31,74%), enquanto a maior pureza do extrato (25,62%) foi obtida utilizando 637,5W por 10 minutos. Em contrapartida, observou-se redução da solubilidade dos concentrados obtidos por ultrassom, indicando alterações estruturais nas proteínas, decorrentes da cavitação ultrassônica. Os resultados obtidos até o momento demonstram que o pré-tratamento com ultrassom de alta potência pode ser uma estratégia eficiente para aumentar a recuperação de proteínas da casca do tucumã, contribuindo para o aproveitamento de resíduos agroindustriais amazônicos e para o desenvolvimento de ingredientes proteicos sustentáveis.

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Instituições
  • 1 Universidade de São Paulo
Eixo Temático
  • 3) Ciência de Alimentos
Palavras-chave
proteína vegetal
tucumã-do-Amazonas
ultrassom